Aceitei ser candidata a vice-governadora de Minas Gerais com uma condição muito simples comigo mesma: não estaria numa chapa para cumprir protocolo, compor fotografia ou exercer um papel de coadjuvante. Depois de quatro mandatos como vereadora, sei que mulher na política não precisa de alguém que lhe conceda voz. Precisa de espaço para exercer a responsabilidade que recebeu.
Sou procuradora da Mulher e, ao longo da minha vida pública, aprendi algo que levarei para o Governo de Minas Gerais: a violência contra a mulher raramente começa no dia em que ela vira estatística. Antes da agressão fatal, quase sempre houve medo, ameaça, dependência, humilhação ou violência. É nesse caminho, antes que seja tarde, que o Estado precisa entrar.
Por isso, uma das bandeiras que assumo nesta campanha é Feminicídio Zero. Zero não é uma previsão estatística irresponsável. É uma meta moral. Nenhum governo deveria considerar aceitável qualquer número de mulheres assassinadas por serem mulheres.
Nosso plano estabelece uma política específica de prevenção aos feminicídios. Vamos aderir ao Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios e instituir um plano estadual com metas por território. A estratégia inclui avaliação de risco, casas de acolhimento consorciadas, monitoramento das medidas protetivas, monitoramento eletrônico dos agressores nos casos de risco qualificado, núcleos regionais, apoio para o deslocamento das vítimas e trabalho preventivo também com os homens.
Há, porém, uma pergunta que muitas vezes fica sem resposta: o que acontece com a mulher depois que ela consegue sair da violência?
Não basta dizer “denuncie” e abandoná-la no dia seguinte. Uma mulher pode permanecer ao lado do agressor porque não tem emprego, moradia, renda ou para onde levar os filhos. Por isso criaremos a Rede Estadual de Recomeço. Segurança, assistência social, saúde, habitação, qualificação e trabalho estarão no mesmo fluxo de atendimento, com apoio temporário para quem precisar deixar sua casa, atendimento remoto 24 horas e prioridade nas políticas de habitação e qualificação profissional. A saída da violência precisa terminar em autonomia, não em uma nova dependência.
E governar pelas mulheres mineiras significa enxergá-las para além da violência.
Nosso plano cria uma política estadual permanente de saúde integral da mulher. Mulher não pode aparecer na política de saúde apenas quando engravida. Vamos cuidar da prevenção, da endometriose, da menopausa, da saúde materna, da saúde mental, do puerpério e do rastreamento dos cânceres de colo do útero e de mama. Onde a oferta for insuficiente, especialmente no interior, teremos apoio da telemedicina e unidades móveis.
Também queremos medir o que muitas vezes permanece invisível. O Observatório Mineiro da Igualdade de Direitos reunirá dados sobre desigualdades de gênero, empreendedorismo feminino, renda, saúde e violência contra a mulher. Política pública para mulheres não pode ser avaliada pelo número de campanhas realizadas, e sim pela mudança concreta que produz na vida delas.
Eu venho do Norte de Minas Gerais. Sei que a distância entre uma mulher e a proteção do Estado pode ser medida em quilômetros. Por isso faço questão de que essas políticas cheguem ao interior. A mulher de Montes Claros, do Jequitinhonha, do Mucuri ou de qualquer pequeno município tem o mesmo direito à proteção que aquela que vive na capital.
Não somos metade da população para sermos lembradas em metade de um capítulo do plano de governo. É por elas que estou aqui. E é com elas que quero governar Minas Gerais.