O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta quarta-feira (9/9), a quebra completa do sigilo das investigações relacionadas ao caso Master. Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que o Brasil precisa de explicações diante da dimensão do escândalo e criticou o que chamou de “vazamentos seletivos” de informações.
Segundo o presidente, a divulgação parcial de informações pode interferir na disputa eleitoral e contribuir para o agravamento da crise institucional envolvendo o Poder Judiciário.
“Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário”, escreveu Lula.
O presidente também defendeu que as informações sobre o caso sejam divulgadas de maneira ampla, sem distinção entre os envolvidos.
“Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral”, afirmou.
Na publicação, Lula citou a Operação Spoofing como exemplo de investigação cujo conteúdo, segundo ele, deveria servir de referência para a divulgação de informações. A operação investigou a invasão de celulares de autoridades, incluindo integrantes da força-tarefa da Lava Jato. O presidente mencionou ainda o então ministro Ricardo Lewandowski, que conduziu o processo no Supremo Tribunal Federal.
Lula pediu que o sigilo seja levantado independentemente de quem possa ser atingido pelas investigações.
“Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, declarou.
Crise envolvendo STF e Polícia Federal
A manifestação ocorre em meio ao agravamento da crise institucional provocada pelos desdobramentos do caso Master. A investigação passou a envolver uma disputa entre ministros do Supremo Tribunal Federal e questionamentos sobre a atuação da Polícia Federal.
O ministro André Mendonça havia determinado o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. A decisão foi posteriormente revertida pelo ministro Flávio Dino, que determinou o retorno dos dois aos cargos.
O episódio aprofundou o conflito dentro do Supremo e gerou críticas sobre a condução das investigações e a divulgação de informações relacionadas ao caso.
Na terça-feira (8/9), Lula chegou a convocar uma reunião de emergência no Palácio da Alvorada com o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, após o afastamento dos dirigentes da Polícia Federal.
