Sem acordo na tentativa de conciliação realizada no Tribunal Superior do Trabalho, a Caixa Econômica Federal decidiu ajuizar um dissídio coletivo para que a Justiça decida sobre o impasse com os funcionários em greve.
Nessa quarta-feira (23/9), uma audiência havia sido realizada no TST a pedido do Ministério Público do Trabalho e reuniu representantes do banco e dos trabalhadores em uma mediação pré-processual, com o objetivo de buscar um entendimento antes de um eventual julgamento da paralisação. No entanto, não houve acordo.
O presidente do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região, Ramon Silva Rocha, lamentou a decisão.
“O dissídio é uma condição muito ruim para os trabalhadores, porque tira dos funcionários e do sindicato o poder de negociar, de tentar entrar num consenso, e deixa esse poder na mão de um juiz. Então, a gente se sente muito desconfortável. Não é bom para a Caixa, não é bom para os funcionários. A greve continua forte. Aqui em Belo Horizonte, a paralisação atinge mais de cem agências em BH e na Região Metropolitana. E decisão de Justiça a gente não questiona, a gente cumpre. A gente espera que a Justiça trate esse momento com a seriedade e o cuidado que os bancários da Caixa merecem”, disse.
O principal impasse nas negociações continua sendo o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados. A proposta rejeitada pelos trabalhadores previa elevar, a partir do próximo ano, o teto de participação da empresa no custeio do plano para o equivalente a seis vírgula cinco por cento da folha de pagamento.
Além disso, os funcionários reivindicam a retomada do modelo setenta/trinta, em que a Caixa arca com setenta por cento das despesas assistenciais e os empregados com os outros trinta por cento. Ramon Silva Rocha detalhou as principais reivindicações relacionadas ao plano de saúde.
“Infelizmente, o plano está precarizando a gestão, está caro para os bancários e apresenta um déficit muito grande. A gente precisa que a Caixa apresente uma proposta que resolva esses problemas, cubra esse déficit e não repasse essa conta para os trabalhadores. É possível apresentar uma proposta condizente, porque há recursos para isso; o que falta é vontade política. Nosso principal questionamento é o setenta/trinta, o fim do teto, para que, se houver déficit, a Caixa possa aportar recursos para cobri-lo, além de melhorias na gestão do plano de saúde”, afirmou.
A greve segue sem previsão de encerramento enquanto não houver um acordo entre as partes ou uma decisão judicial.
Apesar da paralisação, a Caixa informou que os pagamentos do Bolsa Família continuam sendo realizados normalmente. Segundo o banco, os canais de pagamento dos benefícios sociais permanecem funcionando, e os beneficiários não precisam comparecer às agências para acessar os recursos.
A maior parte dos pagamentos é feita por crédito em conta bancária. Os valores podem ser movimentados pelos aplicativos Caixa Tem e Caixa, além do cartão de débito vinculado à conta. Enquanto as negociações continuam sem acordo, a orientação é priorizar os canais digitais e as demais formas de atendimento disponíveis.
