O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou neste sábado (26/9), em Belo Horizonte, que o governo federal está fazendo uma busca ativa por pessoas que podem estar enfrentando problemas com jogos de azar e apostas online. Segundo o ministro, a procura por tratamento para ludopatia no Sistema Único de Saúde (SUS) cresceu mais de 600% nos últimos anos.
Padilha esteve na capital mineira para acompanhar a vistoria de 127 veículos que vão reforçar o atendimento do SUS em Minas Gerais. Durante a agenda, ele explicou que o Ministério da Saúde utiliza informações dos CPFs cadastrados em plataformas de apostas para identificar possíveis casos de dependência e oferecer atendimento.
“Nós orientamos as equipes de saúde local e mandamos mensagem para esses CPFs chamando para o teleatendimento, ofertando consulta no Sistema Único de Saúde através do teleatendimento”, explicou.
Atendimento começou em março
O Ministério da Saúde iniciou em março o serviço de teleatendimento para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas. A iniciativa integra a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
O acesso é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital, que encaminha o usuário para a plataforma AgSUS. O atendimento é realizado por psicólogos, enfermeiros e outros profissionais capacitados.
Familiares também podem procurar o serviço. Segundo Padilha, as mulheres têm buscado mais o teleatendimento, inclusive por problemas de saúde mental relacionados ao comportamento de pessoas próximas.
Entre os sinais que podem indicar dependência estão alterações no sono, na alimentação e no humor, além de ansiedade e irritabilidade quando a pessoa não está jogando.
Mais de 1,5 milhão pediram autoexclusão
Padilha afirmou que os dados da área da saúde também foram considerados na decisão do governo de proibir as bets. Segundo ele, mais de 1,5 milhão de brasileiros solicitaram o bloqueio do próprio CPF desde o lançamento da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, em dezembro de 2025.
Mais de 50% dessas pessoas, de acordo com o ministro, informaram que o pedido estava relacionado a problemas de saúde e à perda de controle sobre a própria vida.
“Mais de 50% dessas pessoas declararam que o problema estava relacionado com a saúde, que perderam o controle da própria vida […] Essa decisão do presidente foi para colocar a vida em primeiro lugar. E o presidente Lula expressou bem quando disse que as bets são um câncer e um câncer tem que ser extirpado como um todo”, afirmou.
Levantamentos do Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Fazenda indicam, segundo Padilha, que os homens são maioria entre os jogadores. As mulheres, porém, procuram mais o teleatendimento.
