O World Cooperative Management (WCM) 2026 reúne lideranças do cooperativismo no Minascentro, em Belo Horizonte, para discutir os impactos da inteligência artificial na gestão, na inovação e no desenvolvimento econômico do setor. Em sua 12ª edição, o evento conta com mais de 120 palestrantes, oito palcos simultâneos e 80 horas de conteúdo. Em entrevista à 98News, o CEO do WCM, Luiz Branco, destacou que o principal objetivo deste ano é mostrar como a tecnologia pode atuar em conjunto com as pessoas, sem substituir a essência do cooperativismo.
Segundo Branco, esta é a maior edição já realizada do encontro, que nasceu em Minas Gerais e passou a receber participantes internacionais. A estrutura ocupa aproximadamente 25 mil metros quadrados e contempla discussões voltadas a diferentes segmentos, como crédito, saúde, infraestrutura e consumo.
“É um evento de liderança e hoje referência no Brasil e na América Latina. Estamos na 12ª edição, sempre aqui em Minas Gerais, que foi o estado que acolheu o evento”, afirmou ao repórter João Vitor Bedran, da Rede 98.
Inteligência artificial e cooperativismo
O tema central desta edição é a “fusão” entre a cultura cooperativista e a inovação tecnológica. A discussão integra uma trilogia iniciada em 2025, dedicada à relação entre inteligência artificial e cooperativismo.
De acordo com o CEO, a proposta é combater a percepção de que o avanço tecnológico necessariamente representa uma ameaça aos postos de trabalho.
“A essência do cooperativismo são pessoas. A gente quer mostrar que a inteligência artificial pode ajudar, pode trabalhar em conjunto com o cooperativismo”, explicou.
A primeira etapa da trilogia, realizada no ano passado, apresentou as possibilidades de aplicação da inteligência artificial ao setor. Em 2026, o foco está na integração entre as duas áreas.
O ciclo será encerrado em 2027, com o tema “singularidade”, que pretende aprofundar a discussão sobre a incorporação da tecnologia às atividades cooperativistas.
Cooperativas vão além das instituições financeiras
Durante a entrevista, Luiz Branco também destacou a diversidade do cooperativismo, frequentemente associado apenas às instituições financeiras e às grandes empresas.
Segundo ele, o modelo reúne organizações de diferentes portes, incluindo pequenos produtores que encontram nas cooperativas uma forma de agregar valor aos produtos e ampliar suas oportunidades de mercado.
“Não são só empresas grandes. Até pelo contrário, são muitas empresas cooperativas pequenas. Existem produtores que levam seus produtos para as cooperativas e conseguem agregar valor”, afirmou.
O CEO também ressaltou a organização internacional do setor, representado por entidades como a Aliança Cooperativa Internacional (ACI), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e o Sistema Ocemg, em Minas Gerais.
De acordo com Branco, as 300 maiores cooperativas do mundo movimentam, juntas, mais de US$ 3 trilhões por ano. Ele destacou que, além da dimensão econômica, o cooperativismo contribui para o desenvolvimento das comunidades onde está presente.
“O cooperativismo é um movimento que promove o crescimento das comunidades em todos os países e regiões”, concluiu.
Com informações de João Vitor Bedran