Uma comitiva do governo federal viaja nesta sexta-feira (30/10) para Dourados, em Mato Grosso do Sul, após denúncias de assassinatos, atropelamentos e ameaças contra indígenas no estado. A missão, que conta com a participação da deputada federal Sônia Guajajara (PSOL), busca reforçar as medidas de proteção às comunidades diante de relatos de violência registrados após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25/10).
A delegação tem saída prevista de Brasília às 18h e reúne representantes dos ministérios da Justiça e Segurança Pública, dos Direitos Humanos e da Cidadania e dos Povos Indígenas. As autoridades deverão acompanhar a situação das comunidades e discutir medidas de segurança diante das denúncias encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF).
Denúncias incluem assassinatos, atropelamentos e ameaças
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) encaminhou ao MPF relatos de episódios violentos em diferentes municípios de Mato Grosso do Sul. Entre os casos denunciados estão o assassinato de integrantes de uma mesma família indígena em Naviraí e atropelamentos de indígenas em Coronel Sapucaia.
A entidade também relatou ameaças de morte contra indígenas nos municípios de Tacuru e Nioaque. Os episódios são investigados em meio à suspeita de que parte das agressões tenha relação com o resultado da eleição presidencial, que terminou com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Além dos relatos de violência física, a Apib recebeu cinco áudios com manifestações racistas e ameaças contra comunidades indígenas. As gravações mencionam o uso de armas de fogo e até a possibilidade de envenenamento de fontes de água utilizadas pelos moradores.
A suspeita de contaminação da água, entretanto, ainda não foi confirmada. Também não há, nas informações divulgadas, conclusão das autoridades sobre a motivação dos episódios denunciados.
Parlamentares cobram investigação e proteção às comunidades
Em ofícios encaminhados ao Ministério da Justiça e ao Ministério Público Federal, Sônia Guajajara e integrantes da bancada do PSOL solicitaram a apuração dos casos e a adoção de medidas urgentes para garantir a segurança das comunidades indígenas.
Os parlamentares também pediram que sejam investigadas possíveis omissões de agentes policiais. A solicitação foi motivada por relatos de demora no atendimento ou ausência de resposta das forças de segurança diante de algumas ocorrências.
Uma das hipóteses apresentadas nas denúncias é que os ataques estejam relacionados à insatisfação de apoiadores da candidatura derrotada de Flávio Bolsonaro com o resultado da eleição presidencial. Essa possível motivação ainda depende de investigação e não foi estabelecida como causa dos episódios.
A viagem da comitiva federal ocorre em meio às cobranças por medidas de proteção e por esclarecimentos sobre a violência registrada nas comunidades. A expectativa é que a presença de representantes de diferentes ministérios contribua para a articulação de ações de segurança e acompanhamento das denúncias.