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Cinco décadas de palavra e silêncio

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Hoje, mais uma dessas portas se abrem com a 98 News, e cá estou eu, me sentindo de novo aquele menino que sonhava em silêncio

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No próximo dia 15 de setembro completo 50 anos de profissão, um tempo que cabe em muitas histórias, mas que, no meu caso, cabe principalmente em palavras. Palavras que nasceram tímidas, escondidas em cadernos que ninguém lia. Palavras que tentavam entender o mundo, o amor, o tempo. Palavras que, por vezes caladas, gritavam sonhos.

Era um menino sonhador, isso ainda preservo em mim, daqueles que se escondem nos livros porque têm medo do barulho do mundo. A timidez me fez leitor. A solidão me fez cronista. O rádio foi meu primeiro espelho, minha janela escancarada para o mundo. Nele eu ouvia a vida acontecendo nas ondas que atravessavam a cidade e vinham repousar em meu quarto, como se dissessem:: “Vem também.” E eu fui.

Fui sem saber se conseguiria. Fui porque precisava contar o que via, o que sentia, o que me escapava pelas mãos. Fui escrevendo o que não conseguia dizer em voz alta. Narrando o que minha cabeça processava, nas coisas que o mundo me oferecia. E fui ficando. A vida me foi abrindo portas, e mesmo quando não as abria, fui aproveitando as frestas por onde entrava, grato, curioso, meio descrente de que fosse mesmo comigo.

Hoje, mais uma dessas portas se abrem com a 98 News, e cá estou eu, me sentindo de novo aquele menino que sonhava em silêncio, agora conversando com o mundo, ouvindo e sendo ouvido. Essa é a minha maior conquista: não os prêmios, os cargos, as pautas cumpridas. Mas a permanência do encantamento. Aos quase setenta anos, olho para trás e vejo uma estrada feita de palavras, de encontros, de rádio ligado no peito. E me reconheço criança outra vez, maravilhado diante do que fui capaz de viver.

Não se trata de celebrar um feito. Trata-se de agradecer as pessoas e o caminho. Porque a escrita me salvou muitas vezes, o rádio embalou o meu silêncio, e o jornalismo me ensinou a olhar com mais verdade para o outro e para mim mesmo. Se há um balanço possível, ele é simples: valeu cada silêncio, cada dúvida, cada folha amassada no lixo.

Perto de chegar aos 50 anos de profissão, continuo a escrever, agora com mais liberdade, mais leveza, e a mesma emoção de quem começa.

E ainda sonha.

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Paulo Leite

Sociólogo e jornalista. Colunista dos programas Central 98 e 98 Talks. Apresentador do programa Café com Leite.

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