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O jovem de hoje e seus desafios

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Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil

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A adolescência é uma fase mágica nas nossas vidas, mas, como é uma fase de transição, precisa ser observada com cuidado, sobretudo pela família.

Geralmente a adolescência começa por volta dos 10 a 12 anos e permanece até os 18 a 20 anos, embora os limites possam variar de acordo com cada indivíduo. A OMS considera como adolescência o intervalo entre 10 e 19 anos, reconhecendo como juventude o período de 15 a 24 anos.

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Essa fase é marcada por mudanças físicas, emocionais e sociais significativas.

São importantes características dos adolescentes a descoberta de sua identidade, a busca por autonomia e a tomada de decisões independentes, a exploração de diferentes papeis sociais e o fato de aprender a lidar com importantes questões de autoimagem e autoestima.

Uma ampla gama de emoções passa a ser experimentada, desde alegria e entusiasmo até tristeza, raiva e confusão. O desenvolvimento do pensamento abstrato e crítico também ocorre nessa fase, permitindo que os adolescentes questionem o mundo ao seu redor e desenvolvam suas próprias opiniões e valores.

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Do ponto de vista social, a adolescência envolve uma maior independência em relação aos pais e uma maior ênfase nas relações com os pares.

Os adolescentes procuram por aceitação e pertencimento em grupos de amigos e podem experimentar pressões sociais para se encaixar em determinados padrões de comportamento ou aparência.

Embora seja um período desafiador, a adolescência também oferece oportunidades de crescimento e desenvolvimento. É uma época em que os jovens estão descobrindo quem são e construindo as bases para a vida adulta.

É sempre importante lembrar que os adolescentes devem receber apoio e orientação adequados de seus pais, familiares, educadores e profissionais de saúde. Nesse sentido, proponho uma reflexão:

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Estamos ouvindo os jovens, mas será que estamos de fato escutando o que querem dizer?

Nos últimos anos assistimos a uma mudança significativa no comportamento dos jovens. Até aí nada de diferente do que aconteceu na história da humanidade de geração em geração. O que tem nos atormentado é que as ferramentas, que até então funcionavam, têm se mostrado inoperantes tanto no âmbito familiar quanto no social e escolar.

Os jovens de hoje já nasceram na geração de Facebook, Whatsapp, Snapchat, Skype, Instagram, e não imaginam a sua vida sem estes meios de comunicação. Podemos observar, aliás, uma rápida alteração de humor no jovem quando a internet falha em casa, quando não conseguem a senha do wi-fi num local público ou quando terminam seus dados móveis.

O sentimento de angústia em tentar resolver a situação o mais breve possível é cada vez mais evidente.

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Obviamente esses meios de comunicação possuem aspectos positivos, como a facilidade, a maior aceitação pelo grupo ou a criação de uma maior rede de contatos. No entanto, temos notado cada vez mais as consequências negativas se forem usados de forma descontrolada ou abusiva. Como exemplos, temos o isolamento social, o sedentarismo e a obesidade, a diminuição do rendimento escolar, da capacidade de atenção e memória, dificuldades no sono, autocobranças e comparações, dificuldades em estabelecer relações e, em casos mais graves, quando está instalada a dependência da internet, podem surgir sintomas ansiosos e/ou depressivos.

Alguns autores introduziram termos como a “depressão do Facebook” ou o “toque fantasma” para descrever novos sintomas ou patologias derivadas do uso excessivo das novas tecnologias.

A depressão do Facebook é um sentimento de tristeza ou angústia profundas por não estarem em constante contato com os outros, como se estivessem desligados do mundo, e o toque fantasma é descrito como a sensação de ouvir o celular tocando ou vibrando quando na realidade não está…

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E veio uma pandemia…

Problemas emocionais como ansiedade, depressão, abuso de álcool e drogas, automutilação, violência doméstica, sexualidade pronunciada e falta de limites vieram ainda mais à tona.

Um levantamento do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP) indicou que 36% dos jovens brasileiros desenvolveram quadros de ansiedade e depressão durante a fase mais aguda da pandemia da Covid-19.

A pandemia impactou significativamente a saúde mental de jovens: 60% passou ou vem passando por ansiedade nos últimos meses; 50% relatou sentir cansaço e exaustão como efeitos da pandemia; 18% dos jovens relataram depressão; 9% automutilação ou pensamento suicida.

Também houve muito impacto na Educação: 55% dos jovens apresentaram forte defasagem em termos de aprendizagem; 34% pensou em deixar os estudos. Durante a pandemia, 28% interromperam os estudos em 2020; 16% em 2021, 3% em 2022.

São fenômenos sociais relevantes e que a pauta interessa à comunidade, às famílias, às escolas e outras instituições. Cabe a nós investir no diálogo, na escuta, na acolhida e na busca de alternativas de forma compartilhada. O verdadeiro risco é não fazer nada!

E o que podemos e devemos fazer para ajudar nossos jovens (e por que não, nós mesmos) a lidar melhor com toda essa situação?

  • . Promover o autoconhecimento, para que haja o entendimento dos seus valores, desafios e limitações;
  • Praticar o autocuidado físico e mental;
  • Ter um projeto de vida com metas realizáveis;
  • Desenvolver a autoaceitação, com menos cobranças e comparações;
  • Ter uma rotina de exercícios físicos;
  • Equilibrar responsabilidades e lazer, fazendo escolhas mais conscientes e funcionais;
  • Exercitar o cérebro com leitura;
  • Ter momentos off-line e delimitar tempo e local para o não uso do celular (enquanto se alimenta ou antes de dormir, por exemplo);
  • Buscar atividades conjuntas e que deem satisfação, prazer e desafios;
  • Reservar um tempo para o contato com a família;
  • Ter um tempo para as pessoas de quem se gosta – conversar, dar risadas, abraçar;
  • “Fazer o nada”, sem a necessidade de se conectar e de “fazer” a todo momento;
  • Praticar a higiene do sono, fundamental para solidificar memórias e descansar a mente;
  • Não esquecer do contato com a natureza;
  • Manter sua espiritualidade, seja ela qual for!

Com mais empatia e um entendimento mais claro e abrangente sobre essa importante fase da vida inserida no atual contexto em que vivemos, podemos auxiliar nossos jovens a se tornarem adultos mais completos, saudáveis e resilientes. 

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Ana Luiza Prates

Psiquiatra, especialista em Dependência química, Psicoterapia cognitivo comportamental , Neurociências, Mindfulness e Psicologia Positiva. Professora e Idealizadora do Curso de Saúde emocional da mulher.

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