O MPF (Ministério Público Federal) denunciou dois homens acusados de manter sete trabalhadores em condições análogas à escravidão em uma carvoaria na zona rural de Tapira, no Triângulo Mineiro. A denúncia, divulgada nessa terça-feira (3/2), aponta crimes de aliciamento fraudulento e violação da dignidade humana ocorridos entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2021.
Esquema de aliciamento
Segundo o MPF, as vítimas foram recrutadas nos municípios de Sete Lagoas, Bocaiuva e São João do Paraíso sob falsas promessas de registro formal, bons salários e alojamento digno.
Ao chegarem ao local, descobriram que não teriam carteira assinada e ficaram dependentes de pequenos adiantamentos financeiros, impedidos de retornar devido ao isolamento geográfico e à falta de recursos.
Condições degradantes e fome
Uma fiscalização realizada por auditores do trabalho e policiais militares expôs um cenário de extrema precariedade:
Higiene: Não havia banheiros (necessidades eram feitas no mato) e a água para consumo era retirada de um córrego sem tratamento.
Alimentação: Relatos indicam que o grupo chegou a passar fome, alimentando-se apenas de milho verde em alguns dias.
Jornada: Os turnos chegavam a 15 horas diárias sem descanso semanal e sem Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para lidar com fornos e corte de madeira.
Pedidos da Promotoria
Pprocurador da República Onésio Soares amaral classificou o caso como “violação cruel da dignidade humana”. Além da condenação criminal, o MPF requer o pagamento de indenização por danos morais no valor mínimo de R$ 100 mil para cada um dos sete trabalhadores.
