O Acordo Judicial de Reparação de Brumadinho completa cinco anos com cerca de R$ 20 bilhões já investidos em ações de reparação socioeconômica e ambiental. Novo balanço, apresentado pelo Governo de Minas nesta quarta-feira (4/2), aponta 421 projetos definidos, dos quais 309 estão em execução, com prioridade para os municípios diretamente atingidos pelo rompimento da barragem.
Do total de iniciativas, 85% se concentram na região impactada. As ações incluem obras de saúde, infraestrutura, saneamento, mobilidade, desenvolvimento social e meio ambiente. Assinado em fevereiro de 2021, o acordo prevê R$ 37,6 bilhões ao longo de 10 anos para reparação e compensação dos danos.
Detalhes por área
Na área da saúde, os investimentos envolvem construção e reforma de unidades básicas, implantação de salas de urgência em 18 municípios, entrega de cerca de 130 mil equipamentos e obras em hospitais regionais. Há também projetos estruturantes, como a biofábrica de mosquitos com Wolbachia, voltada ao combate à dengue, zika e chikungunya.
Em infraestrutura, os dados indicam recuperação de mais de 1,3 mil quilômetros de vias urbanas e rodovias, pavimentação de trechos estratégicos e aquisição de 106 ônibus para municípios atingidos. Também estão em andamento obras de mobilidade regional, como duplicações e novas ligações rodoviárias.
No eixo socioambiental, o acordo prevê a retirada de milhões de metros cúbicos de rejeitos da chamada “zona quente”, projetos de saneamento básico com previsão de R$ 1,8 bilhão em investimentos e ações de proteção animal, como a castração e microchipagem de cães e gatos.
O balanço também destaca iniciativas de participação social, como consultas populares e programas comunitários, que direcionam bilhões de reais para projetos definidos com envolvimento direto das populações atingidas. Mais de 17 mil pessoas participaram de processos de escuta ao longo dos cinco anos.
Impactos
Na apresentação do balanço, o governador de Minas, Romeu Zema (Novo), afirmou que sua gestão ficará marcada pelo desastre e pelas ações assumidas após a tragédia que matou 272 pessoas. “Nada ameniza a dor, mas, pelo menos, estamos deixando um estado melhor para aqueles que sobreviveram. Estradas melhores, mais hospitais, mais saneamento básico. Melhor educação. Avanço em todas as áreas”, completou.
Em contrapartida, a presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos por Brumadinho (Avabrum), Nayara Porto, defendeu que o processo de reparação só existe porque, antes, houve um crime. “Só existe reparação porque 272 pessoas foram mortas, assassinadas e enterradas vivas naquela mineradora. O que cobramos é que qualquer obra feita com esse dinheiro traga a memória dessas vítimas”, disse.
A prestação de contas nesta quarta-feira também marcou o lançamento de uma cartilha de balanço e de um site especial com dados públicos sobre os investimentos do Acordo de Brumadinho. As informações estão disponíveis neste link.
