“Minha casa e uma outra foi destruição total”, desabafou o técnico em elétrica industrial Ricardo de Miranda Emidio (37), morador de Juiz de Fora, ao descrever o rastro de lama que atingiu sua residência e soterrou parte de sua família durante a madrugada.
O relato pessoal é uma das faces da tragédia que assola a Zona da Mata mineira, onde o Governo de Minas Gerais oficializou luto de três dias em razão dos temporais que já deixaram, ao menos, 22 mortos na região.
Em entrevista à Rede 98, Ricardo afirmou que estava a caminho do trabalho, durante a madrugada, quando recebeu um telefonema de emergência de sua esposa. Ela conseguiu ligar momentos antes de a estrutura — situada no Bairro Cerâmica — desabar, mas acabou ficando presa entre o chão e uma parede. Segundo Ricardo, o deslizamento teve origem duas ruas acima de sua casa, “descendo e levando tudo”.
Seus sogros, um senhor de 73 anos e uma senhora diabética, moravam no andar de baixo da casa germinada e só puderam ser resgatados por volta das 7h da manhã. “Ela ainda está muito assustada. Inclusive na hora lá do resgate, ela estava tendo crise de ansiedade”, relatou Ricardo sobre o estado de sua sogra. O morador destacou que, embora viva na região há décadas, nunca havia presenciado um desastre dessa magnitude.
Juiz de Fora em estado crítico
A cidade de Juiz de Fora concentra a maior parte das vítimas fatais, com 16 mortes confirmadas até o momento. O transbordamento do Rio Paraibuna gerou inundações severas e um cenário de risco estrutural generalizado por todo o município.
A situação é tão grave que o Corpo de Bombeiros registrou cerca de 40 chamadas emergenciais apenas em Juiz de Fora em um curto período.
Além das perdas humanas e materiais, a infraestrutura da cidade está colapsada. O sistema de abastecimento de água foi comprometido e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém o alerta laranja para a região, indicando que o risco de novos temporais ainda é elevado.
Resposta governamental e buscas
Além de Juiz de Fora, a cidade de Ubá também contabiliza seis óbitos decorrentes das chuvas. O vice-governador Mateus Simões e o governador Romeu Zema se deslocaram para a Zona da Mata para coordenar presencialmente as ações de socorro e assistência humanitária.
Equipes especializadas do Batalhão de Emergências Ambientais e Resposta a Desastres, utilizando cães farejadores, continuam os trabalhos de busca por desaparecidos sob os escombros. “Minas está presente e fará tudo o que estiver ao seu alcance para amenizar esse sofrimento”, afirmou o governador Romeu Zema. Enquanto isso, voluntários em Juiz de Fora e Ubá se mobilizam para arrecadar doações e prestar apoio aos desabrigados.
