O MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) fez um alerta sobre o avanço da violência sexual contra crianças e adolescentes no estado. Em um ano, foram registrados 4.101 casos de estupro de vulnerável contra menores de 14 anos, segundo levantamento com base em dados da Polícia Civil.
Maioria dos casos ocorre dentro do círculo familiar
De acordo com o levantamento, 52,8% dos casos foram cometidos por pessoas do convívio da vítima, como familiares ou indivíduos de confiança.
A promotora de Justiça Graciele de Rezende Almeida destaca que os dados revelam um cenário preocupante. “Os dados mostram que a maior parte dos abusos é praticada por aqueles que, em primeiro lugar, deveriam proteger.”
Casos resultaram em gravidez de crianças
Do total de ocorrências, 235 casos (5,7%) resultaram em gravidez de meninas vítimas de violência sexual. Além do trauma do abuso, o MPMG alerta para os impactos físicos, psicológicos e sociais da gestação precoce.
Crimes atingem grande parte do estado
Os registros ocorreram em 611 municípios mineiros, o equivalente a 71,6% do território. As regiões com maior número de casos são:
- Região Metropolitana de Belo Horizonte (33,8%)
- Triângulo Mineiro (13%)
- Sul de Minas (10,2%)
- Zona da Mata (8,9%)
Entre as cidades com mais notificações estão:
- Belo Horizonte (379)
- Contagem (160)
- Uberaba (135)
- Uberlândia (105)
Subnotificação preocupa autoridades
O Ministério Público ressalta que os números podem ser ainda maiores, já que muitos casos não são denunciados por medo, vergonha ou pressão familiar.
A subnotificação tende a ser ainda mais alta entre meninos, devido a barreiras culturais.
Sinais de alerta para pais e responsáveis
Mudanças de comportamento podem indicar situações de violência. Os principais sinais incluem:
- isolamento e tristeza
- medo excessivo
- queda no rendimento escolar
- pesadelos ou alterações no sono
- dores ou ferimentos sem explicação
O que fazer em caso de suspeita
Especialistas alertam para a importância de evitar a revitimização, com escuta adequada e profissional. A orientação é buscar imediatamente:
- Conselho Tutelar
- Ministério Público
- Polícia
- unidades de saúde
