O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (1º/4), em entrevista concedida em Fortaleza, que o crescimento econômico do país depende da inclusão da população mais pobre no orçamento público. “Ou você coloca o pobre no orçamento ou a economia brasileira vai crescer para poucos”, declarou.
Durante a entrevista, Lula defendeu que a distribuição de renda é essencial para o desenvolvimento. “Muito dinheiro na mão de poucos significa miséria. Pouco dinheiro na mão de muitos significa distribuição de riqueza”, disse. Segundo ele, políticas de inclusão social ampliam o consumo e estimulam a economia. “Quando você dá à totalidade da sociedade o direito de comprar o mínimo necessário, todo mundo começa a participar da economia”, afirmou.
O presidente também citou indicadores econômicos e sociais para sustentar sua avaliação, como a redução da pobreza e da extrema pobreza, a queda do desemprego e o aumento do rendimento médio do trabalho. Ele voltou a mencionar a saída do Brasil do Mapa da Fome e relembrou cenários anteriores. “Quando eu cheguei em 2003, tinha 54 milhões de pessoas passando fome. Agora, quando eu voltei, tinha 33 milhões. Nós acabamos com isso outra vez”, disse.
Ao comentar o tema, Lula criticou setores do mercado financeiro e apontou divergências sobre a destinação de recursos públicos. “A elite brasileira, a Faria Lima, gostaria que o dinheiro que eu gasto em inclusão social fosse para eles e não para o povo pobre”, afirmou.
O presidente também atribuiu avanços recentes à articulação política do governo com o Congresso Nacional. “Nós construímos uma política tributária que foi aprovada pela grande maioria”, disse. Ele citou ainda a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. “Quem ganha até 5 mil reais não pagará mais Imposto de Renda”, destacou.
Por fim, Lula afirmou que a condução da economia busca garantir estabilidade e previsibilidade. “Para um país dar certo, o governante tem que garantir estabilidade fiscal, econômica, social e política”, concluiu.
