O Irã fechou o Estreito de Ormuz nesta quarta-feira (8) após ataques de Israel contra o Líbano, aumentando a tensão no Oriente Médio e interrompendo uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Além disso, o movimento coloca em risco o cessar-fogo recente firmado com os Estados Unidos.
Segundo as agências iranianas Tasnim e Fars, o governo de Teerã avalia abandonar a trégua de duas semanas após a ofensiva israelense no território libanês.
Antes do bloqueio total, pelo menos dois petroleiros ainda conseguiram atravessar a via marítima nesta quarta-feira (8). No entanto, com a nova decisão iraniana, o fluxo foi interrompido, o que já impacta o mercado internacional de energia.
Irã ameaça abandonar cessar-fogo
De acordo com autoridades iranianas ouvidas pelas agências Tasnim e Fars, o país considera deixar o acordo mediado pelo Paquistão, que previa a suspensão de ataques em diferentes frentes.
Além disso, uma fonte citada pela agência Tasnim afirmou que o Irã pode se retirar do cessar-fogo caso os bombardeios no Líbano continuem.
Por outro lado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista ao programa PBS News Hour que os ataques de Israel fazem parte de um “conflito separado” e não estão incluídos no acordo com o Irã.
“Sim, eles não estavam incluídos no acordo. Por causa do Hezbollah. Eles não estavam incluídos no acordo. Isso também será resolvido. Está tudo bem.”
Ataques deixam mais de 200 mortos no Líbano
Enquanto isso, os bombardeios israelenses provocaram um alto número de vítimas. Segundo a defesa civil do Líbano, ao menos 254 pessoas morreram nesta quarta-feira (8).
Mais cedo, o Ministério da Saúde libanês informou à agência Reuters que dezenas de pessoas morreram e centenas ficaram feridas, incluindo profissionais de saúde.
Além disso, os ataques atingiram diferentes regiões de Beirute, com registros de prédios destruídos, fumaça intensa e ambulâncias circulando continuamente pela cidade.
De acordo com o próprio ministério, o número total de mortos desde o início do conflito já ultrapassa 1.500, com cerca de 4.800 feridos.
Israel intensifica ofensiva contra o Hezbollah
Na sequência, o Exército de Israel classificou a operação como a maior já realizada no país até agora. Segundo os militares, mais de 100 alvos ligados ao grupo Hezbollah foram atingidos em Beirute, no Vale do Bekaa e no sul do território.
Em comunicado, o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que a ofensiva representa o maior golpe contra a organização nos últimos anos.
Moradores também relataram à imprensa internacional que alguns ataques ocorreram sem avisos prévios para evacuação.
Fechamento de Ormuz amplia impacto global
Com isso, o fechamento do Estreito de Ormuz amplia os efeitos do conflito para além do campo militar. A rota é essencial para o transporte global de petróleo e gás, e qualquer interrupção tende a pressionar preços e afetar economias ao redor do mundo.
Além disso, relatos de países como Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, divulgados por agências internacionais, apontam novos ataques com mísseis e drones na região, atingindo infraestruturas de energia e dessalinização.
Por fim, o próprio governo do Paquistão alertou que a escalada “mina o espírito do processo de paz”, reforçando o risco de colapso do cessar-fogo e de ampliação do conflito no Oriente Médio.