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Congresso do México aprova proposta que permite anular eleições por interferência estrangeira

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O Congresso do México adiou a análise das leis complementares sobre interferência estrangeira em meio a tensões diplomáticas com os EUA. (Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil)

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Congresso do México concluiu nesta sexta-feira (29) a aprovação de uma reforma constitucional que permite a anulação de eleições quando for comprovada interferência estrangeira capaz de influenciar o resultado do pleito.

A proposta foi aprovada pelo Senado após já ter recebido aval da Câmara dos Deputados e conta com apoio do partido governista Morena, da presidente Claudia Sheinbaum. O texto ainda precisa ser ratificado pela maioria dos estados mexicanos para entrar em vigor.

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A mudança altera o artigo 41 da Constituição mexicana e estabelece que uma eleição poderá ser anulada caso sejam comprovados “atos de intervenção ou ingerência estrangeira que influenciem nos resultados”.

A proposta provocou críticas de especialistas e integrantes da oposição, que apontam falta de clareza sobre o que poderia ser considerado interferência estrangeira.

O ex-embaixador do México nos Estados Unidos, Arturo Sarukhan, afirmou que a redação abre margem para interpretações amplas e pode incluir desde declarações de autoridades estrangeiras até reportagens publicadas por veículos internacionais.

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Leis complementares foram retiradas de pauta

Apesar da aprovação da reforma constitucional, o Congresso adiou a análise das leis complementares que definiriam os critérios para aplicação da medida.

O líder do Morena na Câmara, Ricardo Monreal, retirou a proposta de pauta e afirmou que o tema exige mais debate e construção de consenso entre os parlamentares.

Sem essa regulamentação, a mudança constitucional ainda não possui regras detalhadas para sua aplicação prática.

Debate ocorre em meio a tensão com os Estados Unidos

A discussão acontece em um momento de atrito diplomático entre México e Estados Unidos. Recentemente, o governo do presidente Donald Trump classificou cartéis mexicanos como organizações terroristas, aumentando preocupações dentro do governo mexicano sobre possíveis justificativas para ações unilaterais americanas.

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Além da proposta sobre interferência estrangeira, o Congresso mexicano aprovou o adiamento das eleições judiciais previstas para 2027 e avançou em uma iniciativa para criar mecanismos de veto a candidatos com possíveis vínculos com o crime organizado.

Caso também sejam aprovadas as leis complementares, a nova regra sobre interferência estrangeira deverá valer para as eleições gerais mexicanas de 2030.

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Igor Teixeira

Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, é repórter de cidades e política da 98FM. Tem passagens pela TV Alterosa e Itatiaia.

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