Você já se perguntou por que, diferentemente de outras vacinas que protegem por anos ou até pela vida toda, a vacina da gripe precisa ser tomada novamente a cada temporada? A resposta está no comportamento do próprio vírus influenza — e ignorar essa dose anual pode ter consequências graves, especialmente para grupos mais vulneráveis.
A vacina da gripe é atualizada todos os anos porque o vírus sofre mutações constantes que alteram sua estrutura, tornando a proteção anterior insuficiente. Segundo a pneumologista Michele Andreata, médica especializada em atendimento domiciliar da Saúde no Lar, a imunização continua sendo a principal estratégia para evitar complicações, internações e mortes relacionadas à doença — mesmo quando não impede completamente o contágio.
Por que a vacina da gripe precisa ser tomada todo ano?
O vírus influenza passa por um processo conhecido como deriva antigênica: suas proteínas de superfície se modificam com frequência, o que permite que ele escape parcialmente da imunidade construída por infecções ou vacinações anteriores.
“Todos os anos, a Organização Mundial da Saúde monitora os vírus circulantes no mundo e indica quais cepas têm maior probabilidade de predominar na próxima temporada. A partir dessa vigilância, a vacina é reformulada para oferecer proteção mais direcionada”, explica Michele Andreata, pneumologista da Saúde no Lar.
Ou seja, mesmo quem se vacinou no ano passado precisa de uma nova dose, já que a proteção diminui com o tempo e pode não corresponder às variantes em circulação no momento.
Quem deve tomar a vacina da gripe com prioridade?
Alguns grupos apresentam risco elevado de desenvolver formas graves da doença e, por isso, têm prioridade nas campanhas de vacinação. São eles:
- Idosos — o envelhecimento provoca um declínio natural da resposta imunológica
- Crianças pequenas — o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento
- Gestantes — alterações imunológicas da gravidez aumentam a vulnerabilidade
- Pessoas com doenças crônicas — diabetes, doenças cardiovasculares e respiratórias podem ser descompensadas pela infecção
- Imunossuprimidos — a resposta do organismo ao vírus tende a ser menos eficiente
“No caso dos idosos, há um declínio natural da imunidade associado ao envelhecimento. Já nas pessoas com doenças crônicas, a gripe pode agravar o quadro de base, aumentando o risco de hospitalização e complicações graves”, alerta a pneumologista.
Qual é a eficácia real da vacina da gripe?
Uma dúvida comum entre os pacientes é se vale a pena tomar a vacina, já que ela não garante proteção total contra a infecção. A resposta da ciência é clara: vale — e muito.
“Nenhuma vacina oferece proteção absoluta contra infecção, especialmente no caso da influenza, que sofre mutações frequentes. No entanto, mesmo quando não impede totalmente o contágio, a vacina costuma tornar a doença mais leve, com menor duração e menor risco de complicações”, destaca Michele Andreata.
O principal benefício da vacinação, portanto, não é apenas evitar pegar gripe, mas impedir que ela evolua para um quadro grave — reduzindo significativamente o risco de internações e óbitos.
Quais complicações a gripe pode causar em quem não está vacinado?
A gripe vai muito além de febre e mal-estar. Sem a proteção da vacina, a doença pode evoluir para quadros sérios, como:
- Pneumonia viral ou bacteriana secundária
- Insuficiência respiratória
- Agravamento de asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)
- Descompensações cardiovasculares, incluindo infarto e insuficiência cardíaca
- Internação em UTI e, nos casos mais graves, óbito
Em crianças, há risco de bronquiolite e outras infecções respiratórias graves. Em idosos, a evolução costuma ser mais rápida e silenciosa, com maior probabilidade de desfechos desfavoráveis.
Quais são os principais mitos sobre a vacina da gripe?
Mesmo com décadas de evidências científicas, alguns equívocos ainda afastam pacientes da vacinação. A Dra. Michele Andreata esclarece os mais frequentes:
“A vacina causa gripe” — Não é verdade. Os imunizantes utilizados são feitos com vírus inativados ou fragmentos virais, incapazes de provocar a doença.
“Pessoas saudáveis não precisam se vacinar” — Outro equívoco. A vacinação de pessoas saudáveis ajuda a reduzir a circulação do vírus e protege indiretamente os mais vulneráveis.
“Já tomei uma vez, não preciso repetir” — Como o vírus muda a cada ano, a dose precisa ser atualizada anualmente para manter a proteção eficaz.
“A ciência mostra de forma consistente que a vacina é segura, bem tolerada e uma das principais estratégias para reduzir complicações, internações e mortes relacionadas à gripe”, reforça a pneumologista.
