O acordo entre Mercosul e União Europeia começa a valer em 1º de maio, após mais de duas décadas de negociação. A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) calcula que cerca de € 11 bilhões em produtos brasileiros já terão algum tipo de benefício com a redução de tarifas.
O avanço da proposta pode beneficiar Minas Gerais, que tenta ampliar as exportações e já é o principal Estado exportador para o grupo, com mais de 15% das vendas brasileiras aos países europeus.
Expectativa de avanço
A pauta de exportação de Minas ainda é concentrada em commodities, como café, celulose e metais. Com o novo cenário, cresce a expectativa de avanço em setores como alimentos processados, autopeças e químicos, com maior valor agregado.
O presidente do Sinduscarne, Pedro Braga, afirma que o acordo pode valorizar a proteína animal brasileira no exterior.
“Na visão do Sinduscarne, o acordo entre Mercosul e União Europeia representa uma oportunidade estratégica relevante para o setor de proteína animal, principalmente pelo acesso a um mercado exigente, com alto poder aquisitivo, e que tradicionalmente paga melhor pelos produtos”, avalia.
Para Braga, o acordo reduz tarifas que hoje podem ultrapassar 100% e estabelece as cotas específicas para carne bovina, para aves e para suínos, com condições tarifárias mais favoráveis.
“Mas é importante destacar que esses volumes são relativamente pequenos quando comparados à exportação brasileira. Ou seja, não é um acordo de volume, é um acordo de valor. Ela cria uma oportunidade para alguns players acessarem nichos mais qualificados com maior valor agregado e melhor remuneração”, explica.
O presidente do Sindicafé Minas, Sérgio Meirelles, também comemora a adesão do Brasil ao acordo Mercosul-União Europeia, que deve acabar com o imposto cobrado sobre o café brasileiro na Europa.
“Nosso café brasileiro, para entrar na Europa, era taxado de 7,6 a 9%. Com isso (fim do imposto) nós vamos ganhar mais competitividade”, comemora.
Adaptação e certificação internacional
A coordenadora de negócios internacionais da Fiemg, Verônica Winter, afirma que o momento exige adaptação e que a federação atua para apoiar e orientar empresas nesse processo.
“A própria federação pode apoiar as empresas nessa orientação em relação às exigências no mercado da União Europeia, e também as que vão sofrer a concorrência aqui e precisarão se adequar. Além disso, (a Fiemg pode apoiar) para que a empresa saiba qual é o produto, como o produto está classificado, se ele vai ter essa isenção da tarifa já de imediato ou se está dentro das cestas que terão as desgravações periódicas no decorrer do dos anos”, diz.
Verônica explica que a Fiemg pode orientar também sobre a certificação internacional.
“O certificado de origem é um documento aduaneiro que é emitido para todos os produtos exportados para países com os quais o Brasil tem acordo comercial. Então, no caso da União Europeia, é essencial que os produtos tenham esse certificado de origem e as federações estão habilitadas para emitir esse certificado”, explica.
Parte das exportações ainda depende de cotas e regras específicas, e tarifas podem voltar a ser cobradas quando os limites são atingidos.