Uma perícia particular trouxe novos elementos sobre a morte do influenciador digital PC Siqueira, encontrado sem vida em dezembro de 2023, aos 37 anos, em seu apartamento na Zona Sul de São Paulo. O laudo, elaborado em março de 2026 a pedido da família, sustenta que ele foi vítima de estrangulamento com um fio de fones de ouvido, contrariando a conclusão oficial de suicídio por enforcamento. A informação foi divulgada pelo g1.
O parecer técnico foi assinado pelo perito particular Francisco João Aparício La Regina, ex-integrante da Polícia Técnico-Científica, que analisou o caso em um documento de 48 páginas. Segundo ele, as lesões encontradas no pescoço do influenciador são compatíveis com um fio fino, possivelmente um fone de ouvido, e incompatíveis com a cinta de catraca apontada pela perícia oficial como instrumento utilizado no suposto suicídio.
De acordo com o relatório, o padrão e a largura das marcas no pescoço de PC não condizem com o objeto inicialmente apreendido pelos peritos oficiais, que era mais largo. O fio de fone, por sua vez, foi recolhido posteriormente pelos advogados da família e entregue à polícia para análise. O documento, no entanto, não indica autoria nem aponta suspeitos para o suposto homicídio.
A divergência entre os laudos levou o Ministério Público a solicitar uma nova análise pericial. A Polícia Civil foi orientada a encaminhar o fio de fone de ouvido ao Instituto Médico Legal (IML) e ao Instituto de Criminalística (IC), que deverão comparar o objeto com os ferimentos registrados. Como o corpo foi sepultado há mais de dois anos, não será possível realizar exumação, e a reavaliação será feita com base em imagens e registros da época.
O caso segue em investigação. Em 2025, a Polícia Civil havia concluído o inquérito como suicídio, mas o arquivamento não foi autorizado pela Justiça após questionamentos do Ministério Público, que apontou inconsistências nos laudos e contradições em depoimentos. Com isso, novas linhas de apuração passaram a ser consideradas, incluindo homicídio com simulação de suicídio, instigação e omissão de socorro.
Em janeiro de 2026, a Polícia Técnico-Científica realizou uma reconstituição no apartamento onde o influenciador vivia, no bairro Campo Belo. A ex-namorada não participou do procedimento. Até o momento, não há suspeitos formalmente identificados, e o caso permanece em aberto, sob análise da polícia, do Ministério Público e da Justiça.
