Em época de Copa do Mundo, o futebol passa a voltar seus olhos para o maior evento de futebol do planeta. Tudo o que tem a ver com o Mundial ganha força e é procurado pelos amantes do torneio.
Os álbuns de figurinhas não fogem a essa regra e são parte importante para elevar a expectativa do torcedor. Contudo, nem sempre as coleções da Copa do Mundo cravam os convocados da Seleção Brasileira para o Mundial. Algum jogador “chamado” pela publicação não aparece na lista oficial.
Inegavelmente, a logística para colocar a publicação nas bancas, livrarias e demais locais, que se soma ao período de disputa do torneio – que chega a quase 60 dias entre apresentação e os jogos – exige da fabricante uma certa previsibilidade para ter o álbum sendo comercializado. Logo, entra em campo o exercício de prever quem vai para o Mundial e quem ficará de fora.
A Panini, uma das principais empresas do ramo, publica o álbum da Copa do Mundo desde 1970, e sempre com grande sucesso. A publicação demorou 20 anos para chegar ao Brasil, e desde 1990, é sucesso em todas as faixas de idade.
Vamos conferir quem a Panini “convocou” para a Copa do Mundo, mas acabou ficando de fora
1970: Dirceu Lopes (Cruzeiro)
A Panini “convocou” Dirceu Lopes que, de fato, estava muito cotado para ir ao Mundial, até mesmo por ter disputado as Eliminatórias, quando a Seleção Brasileira era comandada por João Saldanha. Zagallo substituiu o antecessor e deixou o jogador do Cruzeiro de fora.
Detalhe: outros atletas não apareceram na publicação, como o goleiro Félix, o volante Clodoaldo, além dos ofensivos Paulo César e Dario. Mesmo sem Dirceu Lopes – que acrescentaria e muito ao selecionado nacional – o Brasil foi tricampeão do mundo ao derrotar a Itália, por 4 a 1.
1974: Félix (Fluminense), Carlos Alberto e Clodoaldo (Santos), Carbone (Internacional) e Palhinha (Cruzeiro)

Zagallo ainda era o técnico da Seleção Brasileira e apostou em alguns dos tricampeões do mundo em 1970, como Rivelino, Piazza e Jairzinho. Porém, novos nomes surgiram para o “escrete” canarinho de 1974, como Ademir da Guia, Valdomiro, Carpegiani e Mirandinha
A Panini “convocou” o goleiro Félix, o lateral-direito Carlos Alberto, os meio-campistas Carbone e Clodoaldo e o atacante Palhinha, que não foram a Copa do Mundo. Na publicação, a empresa deixou de fora nomes como o goleiro Renato (Flamengo), o lateral Nelinho (Cruzeiro) e o ponta-esquerda Edu (Santos), que foram convocados para a Copa.
1978: Luis Pereira (Atlético de Madrid-ESP), Paulo César (Botafogo), Raul (Cruzeiro) e Zé Maria (Corinthians)

Cláudio Coutinho era o técnico da Seleção Brasileira em 1978 e vinha de outros trabalhos pelo selecionado carinho. Foi tricampeão do mundo em 1970 como preparador físico, e esteve na Copa de 1974 como coordenador técnico. Com o fim da geração de 1970, restando poucos jogadores em atividade e no auge, vários rostos novos apareceram entre os convocados e também no álbum de 1978.
A Panini apostou no goleiro Raul, no lateral-direito Zé Maria, no zagueiro Luis Pereira e no meio-campista Paulo César Caju, que estavam em alta em seus times, mas não foram chamados por Coutinho. Em tempo, deixou de fora da publicação o lateral Toninho Baiano (Flamengo), o volante Chicão (São Paulo) e o ponta-esquerda Zé Sérgio (São Paulo), que foram convocados.
1982: Zé Sérgio (São Paulo)
O período pré-Copa, comandado por Telê Santana, definiu os convocados para o Mundial da Espanha bem antes do chamado oficial. Nos amistosos disputados em 1982 era visível qual selecionado o treinador levaria para a Espanha. A geração era amplamente qualificada, e jogadores como Reinaldo (Atlético), Careca (Guarani), Leão (Grêmio) e Tita (Flamengo) ficaram de fora.
No álbum, o ponta-esquerda Zé Sérgio, que participou do período sob o comando de Telê Santana, entrou na publicação, mas não foi convocado. Embora não tenha sido campeã, a Seleção Brasileira entrou para a história como uma das melhores de todos os tempos.
1986: Leandro e Mozer (Flamengo), Toninho Cerezo (Roma-ITA), Renato Gaúcho (Grêmio) e Éder (Internacional de Limeira-SP)

Até a Copa de 1986, pelo menos quatro treinadores passaram pela Seleção Brasileira. Carlos Alberto Parreira, Edu Coimbra e Evaristo de Macedo começaram os trabalhos após o Mundial de 1982, mas coube a Telê Santana retornar em 1985, classificar a Seleção para a Copa do Mundo no México e definir os convocados.
Telê recorreu a alguns nomes de 1982, que retornaram mais experientes, mas caras novas surgiram, como os volantes Elzo, do Atlético, e Alemão, além do lateral-direito Josimar, ambos do Botafogo. Contudo, cinco jogadores que estavam na lista da Panini ficaram de fora da convocação.
Os casos mais emblemáticos foram os de Renato Gaúcho e Leandro, que cometeram ato de indisciplina dias antes na preparação em Belo Horizonte. O primeiro foi cortado, e o segundo não foi à Copa em solidariedade ao amigo. Cerezo e Mozer não foram chamados por lesão. Éder não foi ao México por opção de Telê após ser expulso contra o Peru, em amistoso preparatório para o Mundial.
1990: Cravou. A Panini acertou todos
Pela primeira vez, depois de 20 anos, a Panini publicou o álbum de figurinhas da Copa do Mundo no Brasil. E, não menos importante, acertou os convocados, deixando de fora apenas aqueles que não estiveram na publicação, mas foram ao Mundial. Casos do goleiro Zé Carlos (Flamengo), do meia Bismarck (Vasco) e do atacante Renato Gaúcho (Flamengo).
1994: Palhinha (São Paulo) e Evair (Palmeiras)

Na publicação de 1994, dois jogadores que aparecem não foram convocados: o meia Palhinha e o atacante Evair. Ambos foram importantes na caminhada rumo à Copa do Mundo, marcando gols em vitórias que fizeram a diferença, principalmente nas Eliminatórias, além viverem grande fase em seus clubes, mas ficaram de fora da lista de Carlos Alberto Parreira.
Outros atletas, como Paulo Sérgio (Bayer Leverkusen-ALE) e Ronaldo (Cruzeiro), que não apareceram nas Eliminatórias, acabaram convocados. Contudo, vale salientar que o jovem Ronaldo, então com 17 anos, encantava o futebol brasileiro desde o segundo semestre de 1993 e fez por merecer a convocação de Parreira.
1998: Zé Maria (Parma-ITA), Flávio Conceição e Mauro Silva (Deportivo La Coruña-ESP)

Na lista de convocados por Zagallo, ficou evidente que a mudança de geração já estava acontecendo. O pós-Copa de 1994 apresentou ótimos jogadores, tornando difícil a missão de qualquer treinador da época.
Contudo, a Panini “convocou” o lateral-direito Zé Maria e os volantes Flávio Conceição e Mauro Silva. Os três faziam por merecer a convocação, mas, na visão de Zagallo, Zé Carlos (São Paulo) e Doriva (Porto-POR) seriam mais úteis.
Vale destacar que Romário está no álbum, mas não disputou a Copa de 1998, pois foi cortado por lesão. Ele foi convocado por Zagallo e pela publicação também. Uma pena que o camisa 11 do tetra não foi para o Mundial da França.
2002: Antônio Carlos (Roma-ITA), Zé Roberto (Bayer Leverkusen-ALE) e Mauro Silva (Deportivo La Coruña-ESP)

O ciclo da Copa de 2002 foi bastante movimentado, chegando a ter no comando técnico Vanderlei Luxemburgo, Candinho (interino) e Emerson Leão até a chegada de Luiz Felipe Scolari, em 2001. Vários jogadores passaram pelo período, desde Leomar, volante do Sport, o meia Alex, do Palmeiras, e até Guilherme e Marques, atacantes do Atlético, todos em alta em seus times.
No final, a Panini “convocou” o zagueiro Antônio Carlos, o lateral-esquerdo/meia Zé Roberto e o volante Mauro Silva, que não foram chamados por Felipão. A publicação deixou de fora o goleiro Marcos, o volante Gilberto Silva e o meia Ronaldinho Gaúcho.
Um adendo é que o volante Emerson, que estava na publicação, foi convocado, mas ficou fora da Copa do Mundo após se lesionar no período de preparação. Fato semelhante ao que aconteceu com Romário, em 1998.
2006: Roque Júnior (Bayer Leverkusen-ALE), Júlio Baptista (Real Madrid-ESP) e Renato (Sevilla-ESP)

A Copa do Mundo de 2006 encheu os torcedores de expectativa para a chegada do hexacampeonato. O elenco era formado por atletas no auge da carreira, e o ciclo pré-Copa não poderia ser mais tranquilo, com os títulos da Copa América de 2004 e da Copa das Confederações de 2005.
Contudo, a Panini “convocou” o zagueiro Roque Júnior, pentacampeão em 2002, e os meias Júlio Baptista e Renato, que não foram convocados por Carlos Alberto Parreira. O treinador optou por convocar Cris (Lyon-FRA), Mineiro (São Paulo) e Ricardinho (Corinthians).
2010: André Santos (Fenerbahce-TUR), Ronaldinho Gaúcho (Milan-ITA) e Adriano Imperador (Flamengo)

O ciclo da Copa de 2010 teve à frente o ex-volante Dunga, que estava em sua primeira experiência como treinador. Embora tenha tido resultados expressivos na caminhada até o Mundial, Dunga comandou uma geração inédita que iniciava um novo período.
A Panini “convocou” o lateral-esquerdo André Santos, o meia Ronaldinho Gaúcho e o atacante Adriano Imperador, que foram lembrados pelos torcedores e pela mídia especializada, principalmente o R10, mas não foram chamados.
Outros nomes, como Paulo Henrique Ganso e Neymar, que encantavam o futebol brasileiro em 2010 e eram pedidos pela torcida, sequer foram lembrados por Dunga.
2014: Robinho (Milan-ITA)
Assim como em 2010, o ciclo pré-Copa teve turbulências, mas nada que atrapalhasse o andamento do processo. Começou com Mano Menezes, mas terminou com o retorno de Luiz Felipe Scolari. Sem uma base formada, novos nomes surgiram — assim como aconteceu em 2010 — e veteranos ficaram de fora.
A Panini errou por apenas um jogador. O atacante Robinho, aos 30 anos, foi lembrado pela publicação, mas ficou de fora da lista de Felipão. O treinador trouxe nomes como Hulk (Zenit-RUS), Bernard (Shakhtar Donetsk-UCR), Jô (Atlético) e Maxwell (PSG-FRA). Mas o que ficou como lembrança foram os 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil, em pleno Mineirão.
2018: Daniel Alves (PSG-FRA) e Giuliano (Fenerbahçe-TUR)

Em mais uma chance de tentar o hexacampeonato — e apagar o vexame dos 7 a 1 na Copa anterior — o Brasil foi para a Rússia, em 2018, com Tite como novo técnico e várias caras novas quando o assunto era Mundial. Apenas seis jogadores eram remanescentes de 2014: Marcelo, Thiago Silva, Fernandinho, Paulinho, Willian e Neymar.
A Panini colocou em sua publicação Daniel Alves, do Paris Saint-Germain-FRA, e Giuliano, do Fenerbahçe, da Turquia. Apenas o meio-campista apareceu na lista dos 35 convocados de Tite, mas não foi ao Mundial.
2022: Philippe Coutinho (Aston Villa-ING)
A última Copa do Mundo que disputamos não foi muito diferente do que aconteceu na anterior. Caímos nas quartas de final, desta vez nos pênaltis. No final, ainda assistimos à Argentina faturar mais um título mundial.
A Panini trouxe Philippe Coutinho, então meia do Aston Villa, da Inglaterra, como convocado. Contudo, o jogador não foi chamado por Tite.
2026: Bento (Al-Nassr-KSA), Éder Militão e Rodrygo (Real Madrid-ESP), Estêvão e João Pedro (Chelsea). E não convocou Neymar (Santos)

Assim como aconteceu em Copas anteriores, a Panini projetou os convocados para o Mundial, e não apenas errou em quatro convocados como “deixou” de chamar um importante jogador.
A Panini “convocou” o goleiro Bento, Al-Nassr, o zagueiro Éder Militão e o atacante Rodrygo, do Real Madrid, além de Estêvão e João Pedro, do Chelsea. Vale destacar que Militão, Rodrygo e Estêvão ficaram de fora da Copa do Mundo por estarem lesionados.
No entanto, em meio a dúvidas se Neymar seria convocado ou não, a Panini “deixou” o camisa 10 do Santos de fora da publicação. No final, Carlo Ancelotti chamou o jogador de 34 anos para o seu quarto mundial.
Fim da era Panini na Copa do Mundo
Enquanto pesquisávamos todos os nomes, publicações e listas oficiais da Seleção Brasileira desde 1970, a FIFA anunciou o encerramento da parceria com a Panini, que não publicará mais o álbum oficial da Copa do Mundo.
O encerramento do projeto quebrou um ciclo que durava quase 60 anos, sendo 36 deles com comercialização no Brasil. A mudança acontecerá a partir de 2031.
Todas as figurinhas desta publicação são reproduções da Panini
