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Scarpa fala sobre paixão por Tolstói e Dostoiévski a jornal russo: ‘quero reler Os Irmãos Karamázov’

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Larissa Reis

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O meia do Atlético concedeu uma entrevista ao jornal Sovetsky Sport para falar sobre sua paixão por clássicos da literatura russa (Canal do Scarpinha/Reprodução)

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Gustavo Scarpa virou assunto na Rússia, mas desta vez nada teve a ver com futebol. O meia do Atlético concedeu uma entrevista ao jornal Sovetsky Sport para falar sobre sua paixão por clássicos da literatura russa, a repercussão da resenha de “A Morte de Ivan Ilitch” e a influência que descobriu ter sobre os hábitos de leitura dos brasileiros.

O interesse da publicação russa surgiu depois que a resenha de Scarpa sobre o clássico de Liev Tolstói viralizou no Brasil. O vídeo ajudou a levar “A Morte de Ivan Ilitch” ao topo da lista de livros mais vendidos da Amazon Brasil e também impulsionou a criação da Galeitura, clube de leitura formado por torcedores do Atlético.

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Na conversa, Scarpa contou que mantém um canal no YouTube há cerca de cinco anos, mas só recentemente decidiu colocar em prática o plano de produzir vídeos mais longos sobre literatura. A primeira experiência ganhou uma repercussão muito maior do que ele esperava.

“De repente, o livro virou um best-seller da Amazon. Estou muito feliz com isso”, contou ao jornal.

De ‘Os Miseráveis’ a Tolstói e Dostoiévski

Scarpa revelou que o livro que despertou sua paixão pela literatura foi “Os Miseráveis”, de Victor Hugo. A partir daí, passou a explorar diferentes autores e chegou aos clássicos russos.

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O primeiro contato com a literatura russa aconteceu com “Crime e Castigo”, de Fiódor Dostoiévski. Depois, vieram “Os Irmãos Karamázov” e “O Idiota”, também do escritor russo.

Apesar da fama de serem obras difíceis, Scarpa disse que gosta da literatura russa e que gostaria de reler “Os Irmãos Karamázov”.

Entre seus favoritos estão justamente “Crime e Castigo” e “O Idiota”, ambos de Dostoiévski.

Por que ‘A Morte de Ivan Ilitch’ chamou a atenção?

Scarpa contou que não esperava a dimensão que a resenha teria. Segundo ele, a ideia era simples: comentar os livros que lê, como já fazia com outras obras.

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O que mais chamou a atenção do jogador em “A Morte de Ivan Ilitch” foi a reflexão sobre a vida do protagonista. Ivan constrói uma trajetória baseada em carreira, dinheiro, status e conforto, mas passa a questionar suas escolhas quando se aproxima da morte.

Para Scarpa, a história serve como um convite para repensar as prioridades. “Muitas vezes, corremos atrás de muitas coisas e nos esquecemos do que é mais importante: as coisas boas e o tempo que passamos com quem amamos”, afirmou.

O livro, publicado originalmente em 1886, acompanha os últimos dias de um juiz que, diante de uma doença grave, começa a rever a própria existência. A obra já estava entre os clássicos conhecidos no Brasil, mas ganhou novo impulso depois da resenha do jogador.

‘Não esperava que tantas pessoas no Brasil gostassem de livros russos’

Durante a entrevista, Scarpa também falou sobre a relação dos brasileiros com a literatura russa. Para ele, existe uma percepção de que os clássicos são difíceis ou destinados apenas a acadêmicos.

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“Não esperava que tantas pessoas no Brasil gostassem de livros russos”, disse.

O jogador afirmou ainda que encontra paralelos entre os temas abordados por autores como Tolstói e Dostoiévski e situações vividas no Brasil, principalmente quando os livros tratam de pobreza e de pessoas em situações difíceis.

Influência positiva

A repercussão da resenha também fez o jogador perceber que seu alcance vai além do futebol. Scarpa contou que recebe mensagens de pessoas que voltaram a ler depois de anos ou que começaram um livro por causa de uma recomendação sua.

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“É maravilhoso ajudar as pessoas a lerem”, afirmou Scarpa.

Ele, porém, disse que não pretende mudar a maneira espontânea como escolhe os livros. A ideia é continuar lendo aquilo que realmente desperta seu interesse. “Agora entendo que realmente tenho o poder, como um jogador de futebol, de inspirar pessoas”, afirmou.

O efeito já aparece dentro do próprio Atlético. Scarpa conta que alguns companheiros também leem e que já recomendou livros para outros jogadores, embora ainda não tenha indicado os clássicos russos ao elenco.

Próxima parada: Gogol

E a literatura russa ainda deve aparecer bastante no canal do camisa 10. Scarpa revelou que pretende ler “O Capote”, de Nikolai Gogol, como sua próxima obra russa.

O jogador também contou que quer experimentar novos formatos no canal. Recentemente, gravou um vídeo com um companheiro de Atlético sobre um livro de Freida McFadden e pretende produzir conteúdos mais curtos, incluindo conversas com outras pessoas sobre seus livros favoritos.

Para o futuro, Scarpa também guarda outro plano: conhecer a Rússia pessoalmente. O jogador disse que sonha em visitar o país, especialmente porque já leu diversas obras de autores russos. Por enquanto, porém, a viagem precisa esperar. Ele explicou que tem dois filhos e prefere evitar destinos muito frios durante as férias.

Enquanto a viagem não acontece, Scarpa segue conhecendo a Rússia pelas páginas. E, depois de levar Tolstói ao topo da Amazon brasileira, o camisa 10 do Galo agora ganhou espaço também na imprensa do país que produziu alguns de seus autores favoritos.

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Larissa Reis

Graduada em jornalismo pela UFMG e repórter da Rede 98 desde 2024. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagens premiadas pela CDL/BH em 2022 (2º lugar) e em 2024 (1º lugar).

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