Sonho de muitos jogadores ao redor do mundo, a Copa do Mundo de 2026 tem sido quase um pesadelo para a seleção do Irã. O país vive conflitos políticos com os Estados Unidos, um dos países-sede do Mundial, e os problemas têm afetado a seleção iraniana dentro e fora de campo.
Após o empate com a Nova Zelândia, nessa segunda-feira (15/6), pela fase de grupos, diversos jogadores vieram a público falar sobre as dificuldades enfrentadas nos EUA e não pouparam críticas ao tratamento recebido em solo americano. Taremi, principal jogador do Irã e maior artilheiro do país em Copas do Mundo, afirmou que “tudo é um desastre”.
“Tudo é um desastre atualmente para nós. Não é uma coisa certa, mas não seguimos as desculpas, só olhamos adiante com esperança para os próximos dois jogos. Vamos dar o nosso melhor para o nosso povo e alegria para os nossos apoiadores.”
Destaque do empate com a Nova Zelândia, com um gol e uma assistência, o meia-atacante Mohammad Mohebi seguiu as críticas do companheiro e citou “injustiça” no tratamento recebido pelos iranianos durante o Mundial.
“Pensei que chegaríamos aqui dois dias antes do jogo. Ontem, começamos a viagem pela manhã e chegamos à tarde para treinar. Ficamos cansados. Provavelmente, deveríamos estar aqui dois dias antes do jogo. Esse tipo de coisa, eu penso, não é justa. Precisamos de uma competição justa.”
Problemas de logística
Um dos grandes problemas da seleção iraniana durante a Copa de 2026 é a logística ao longo do torneio. A delegação foi impedida de permanecer nos Estados Unidos durante o Mundial e teve que alterar o planejamento de última hora, optando por ficar em Tijuana, no México.
No entanto, os iranianos só podem entrar nos EUA mediante autorização. Antes da partida contra a Nova Zelândia, por exemplo, a delegação só pôde ingressar em território americano um dia antes do confronto.
Amir Ghalenoei, técnico do Irã, não poupou críticas às restrições após a partida. O comandante afirmou que a seleção iraniana é a “mais oprimida da história das Copas” e citou a falta de justificativas para o tratamento recebido.
“Nem nós sabemos porque saímos dos Estados Unidos. É algo realmente engraçado. O planejamento da nossa equipe foi feito em um lugar, mas a decisão final acabou sendo tomada em outro. Deveríamos ter vindo para Los Angeles duas noites antes do jogo, mas não permitiram.”
“Nosso plano era ficar aqui esta noite, descansar e voltar amanhã à tarde, mas, mesmo assim, não permitiram, e eu não sei por quê. É por isso que digo que somos a seleção mais oprimida na história da Copa.”
Após a partida, os iranianos ainda tiveram problemas com as autoridades imigratórias dos Estados Unidos e ficaram detidos no aeroporto até a resolução de pendências. A Federação Iraniana de Futebol classificou o episódio como um “atraso injustificado”.
O Irã volta a campo contra a Bélgica no próximo domingo (21/6), novamente em Los Angeles. Depois, os iranianos encerram a participação na fase de grupos contra o Egito, em Seattle.
