O avanço das exportações mineiras tem aumentado a procura por um documento estratégico para o comércio internacional. Em 2025, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) emitiu 46.335 Certificados de Origem, alta de 39% em relação ao ano anterior.
O documento é utilizado para comprovar que um produto atende às regras de origem previstas em acordos comerciais firmados pelo Brasil com outros países e blocos econômicos. Na prática, ele permite que mercadorias exportadas tenham acesso a reduções ou até mesmo isenções de tarifas de importação nos mercados de destino.
Segundo a coordenadora de Certificação Internacional do Centro Internacional de Negócios (CIN) da FIEMG, Priscila Ferreira, o crescimento reflete uma mudança de postura das empresas em relação ao mercado externo.
“As empresas passaram a buscar mais competitividade nas exportações. Elas entendem agora melhor os benefícios previstos nos acordos comerciais e o certificado deixa de ser apenas uma exigência documental para se tornar um recurso essencial para tornar o produto mineiro mais competitivo no exterior”, afirma.
Além do aumento das exportações, a FIEMG atribui o crescimento das emissões à digitalização dos processos, à maior agilidade na liberação dos documentos e ao trabalho de orientação técnica realizado junto às empresas exportadoras.
Entre os setores que mais buscaram a certificação estão alimentos e bebidas, metalmecânico, automotivo e autopeças, além de empresas ligadas à mineração, siderurgia e transformação industrial.
A importância do documento está diretamente ligada ao custo dos produtos brasileiros no exterior. De acordo com Priscila Ferreira, o Certificado de Origem é o instrumento que garante ao importador acesso aos benefícios tarifários previstos nos acordos comerciais.
“O produto mineiro pode chegar ao mercado externo com menor custo, melhores condições comerciais e maior atratividade para o comprador internacional”, explica.
Minas Gerais exportou US$ 45,8 bilhões em 2025 e respondeu por 13,2% das vendas internacionais brasileiras. O estado registrou superávit superior a US$ 27,5 bilhões na balança comercial no período.
A expectativa da FIEMG é de que a demanda pelo documento continue crescendo com a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia. Nos primeiros anos, as empresas precisarão comprovar a origem dos produtos para acessar os benefícios tarifários previstos no tratado, o que deve ampliar a procura por certificações e serviços de orientação técnica.
