A insegurança nos pontos de ônibus de Belo Horizonte é uma preocupação para muitos passageiros, principalmente mulheres que aguardam o transporte público no período noturno. Para ampliar a sensação de proteção durante a espera pelos coletivos, a capital passou a contar com o Abrigo Amigo, projeto que oferece atendimento remoto por chamada de vídeo em pontos de ônibus.
A iniciativa foi lançada nesta terça-feira (4/8) e prevê a instalação de 100 equipamentos em pontos estratégicos de Belo Horizonte até o fim de agosto. O projeto é uma parceria entre a Prefeitura de Belo Horizonte, a Claro e a Eletromidia.
O atendimento funciona diariamente das 20h às 5h. Ao apertar um botão instalado no painel do abrigo, o passageiro inicia uma chamada de vídeo com uma central formada por mulheres treinadas para oferecer acolhimento e, quando necessário, acionar as forças de segurança.
Usuárias relatam medo e cobram mais segurança
Na Avenida Afonso Pena, no Centro de Belo Horizonte, onde o primeiro equipamento foi instalado, a Rede 98 ouviu mulheres que utilizam o transporte coletivo e convivem com a sensação de insegurança durante a espera pelo ônibus.
Andreia Cristina, de 51 anos, contou que costuma procurar pontos mais movimentados quando precisa aguardar o coletivo.
“Às vezes eu tenho que ficar mudando de ponto ou aqui ou no Palácio das Artes, porque eu vejo movimento, eu vou andando um pouquinho. Às vezes você está sem celular e não tem como avisar ninguém. Sabendo que tem uma pessoa acompanhando você enquanto espera o ônibus, já ajuda. Mas ainda falta mais policiamento.”
Já Júlia de Almeida, 41, que foi assaltada no ponto da Afonso Pena, avalia que medidas como reforço do policiamento e aumento da oferta de ônibus ainda são prioridades.
“Eu não vejo muita eficácia. Acho que policiamento e mais ônibus seriam mais efetivos. Mas, se essa central conseguir acionar a polícia rapidamente, pode ser uma ajuda, sim.”
Pontos foram definidos por demanda no período noturno
Segundo o diretor de Relações Governamentais da Eletromidia, Thiago Barros, a escolha dos locais levou em consideração os pontos de grande circulação onde os passageiros permanecem mais tempo esperando o transporte durante a noite.
Ele explica que a instalação não deve alcançar, neste primeiro momento, áreas mais afastadas da cidade, onde os passageiros costumam desembarcar e seguir diretamente para casa.
“A gente avalia quais são os locais em que as pessoas costumam ficar mais tempo esperando o ônibus numa situação de vulnerabilidade. Em geral, são locais próximos a áreas que têm bastante concentração de trabalho, onde as pessoas saem do trabalho e ficam esperando. O Abrigo Amigo é pensado justamente para dar companhia para as pessoas enquanto elas esperam o seu ônibus. Nas áreas mais afastadas, normalmente a pessoa desce do ônibus e vai para casa, então a dinâmica é diferente.”
Segundo Barros, os locais foram definidos em parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte, considerando a demanda de passageiros e as características de cada ponto.
Thiago explica que a central de atendimento é formada por 30 profissionais e funciona para todos os equipamentos do projeto no país. As atendentes passam por treinamento com psicólogos e especialistas em atendimento de situações de risco.
Segundo o diretor, o Abrigo Amigo já registrou mais de 65 mil chamadas em outras cidades brasileiras, como em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre. Parte dos atendimentos envolve situações de emergência, como casos de pessoas em risco, agressões ou necessidade de apoio médico.
Prefeitura destaca parceria para ampliar proteção
Durante o lançamento, o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, afirmou que o projeto é uma ferramenta adicional de proteção para quem utiliza o transporte público, principalmente as mulheres.
“O Abrigo Amigo tem uma função social, principalmente de proteção às mulheres. A gente percebe que às vezes as pessoas ficam vulneráveis e as mulheres principalmente nos pontos de ônibus na cidade. Ele veio para nos ajudar, para dar a essas pessoas que estão no abrigo esperando o ônibus a condição de conversar com alguém, se ela se sentir sozinha ou ameaçada.”
O prefeito também afirmou que a tecnologia poderá ser integrada futuramente a estruturas de segurança do município.
Segundo Damião, a proposta é permitir que situações de ameaça possam ser comunicadas de forma mais rápida aos órgãos responsáveis.
Os 100 equipamentos serão instalados gradualmente durante o mês de agosto, conforme avaliação técnica dos locais e condições de acessibilidade.
