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Demanda por aluguéis em bairros com faculdades pressiona mercado imobiliário em Belo Horizonte

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Levantamento da rede Netimóveis BH indica que áreas próximas a instituições de Ensino Superior, como a PUC Minas e a UFMG, figuram entre as mais demandadas (Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

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O início do ano letivo volta a impactar o mercado de locação residencial em Belo Horizonte, especialmente em bairros próximos a universidades. Com a chegada de estudantes de outras cidades e a reorganização de jovens profissionais e famílias, essas regiões registram aumento na procura por imóveis, redução da oferta disponível e maior disputa entre interessados.

Levantamento da rede Netimóveis BH indica que áreas próximas a instituições de Ensino Superior, como a PUC Minas e a UFMG, figuram entre as mais demandadas nos primeiros meses do ano. Bairros como Coração Eucarístico, Pampulha, Savassi, Centro e Funcionários concentram parte significativa das buscas nesse período.

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De acordo com os dados, janeiro de 2025 registrou o maior volume de contratos de locação em comparação com os meses seguintes, sobretudo nos entornos dos campi universitários. Nas proximidades da PUC Minas, tanto no campus Coração Eucarístico quanto na região da Praça da Liberdade, a procura por imóveis residenciais superou a observada entre fevereiro e março.

No entorno do campus Coração Eucarístico, bairros como Dom Cabral, Padre Eustáquio, Nova Suíça e João Pinheiro estiveram entre os mais demandados. Já na área Centro-Sul, a movimentação se concentrou em regiões tradicionalmente associadas ao público estudantil, como Savassi, Lourdes, Boa Viagem, Cruzeiro e Sion. Na Pampulha, onde está localizado o campus da UFMG, bairros como Ouro Preto, São Francisco, Jaraguá e Universitários também apresentaram maior volume de locações no início do ano.

Demanda alta

Segundo Adriana Magalhães, diretora de estratégias da CéuLar Netimóveis, a variação sazonal é significativa. “Nos meses de dezembro, janeiro e julho, a procura por imóveis para locação em regiões universitárias pode superar em mais de 50% a demanda registrada em períodos de menor movimento”, afirma.

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A maior parte da procura se concentra em imóveis com aluguel em torno de R$ 2 mil, principalmente apartamentos de dois e três quartos. “O valor do condomínio tem peso importante na decisão, assim como a configuração do imóvel”, explica Adriana. Os contratos, em geral, têm vigência de 36 meses, com renovações posteriores.

Para o sócio-diretor da imobiliária Coração Eucarístico Netimóveis, Eurico Santos, o aumento da demanda está diretamente ligado ao calendário acadêmico. “A procura começa de forma discreta em dezembro, se intensifica em janeiro e segue por algumas semanas após o início das aulas. O mesmo ocorre em agosto, com o segundo semestre”, observa.

Com a concorrência maior, o processo de escolha tende a ser mais rápido. “Quem demora para decidir pode perder o imóvel”, alerta Eurico. A localização aparece como principal critério, seguida pela estrutura do apartamento. Imóveis já equipados, com armários e itens básicos instalados, costumam ser mais atrativos para estudantes.

A movimentação sazonal também altera a rotina das imobiliárias, que se organizam para atender ao pico de demanda no início do ano, priorizando a captação de imóveis com perfil compatível com esse público.

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Além da disputa por unidades disponíveis, os valores de aluguel também têm pesado no orçamento dos inquilinos. Segundo Adriana Magalhães, os reajustes seguem índices contratuais, mas a alta acumulada chama atenção. “Os aluguéis subiram em torno de 8,85%, acima da inflação, o que amplia o impacto das renovações e das novas locações no orçamento familiar”, analisa. Ela destaca ainda que modalidades como seguro-fiança têm substituído o fiador tradicional, facilitando o acesso aos contratos.

Reflexos no comércio e no investimento imobiliário

A maior concentração de moradores em regiões universitárias também afeta o mercado de locação comercial. Segundo Adriana, a presença de estudantes e jovens profissionais atrai estabelecimentos voltados a serviços e consumo cotidiano, como supermercados, farmácias, academias e restaurantes, alterando a dinâmica desses bairros.

Essas áreas também seguem no radar de investidores. De acordo com Nathália Luiza de Oliveira, diretora de Marketing da Netimóveis BH, regiões próximas a universidades apresentam desempenho relevante em indicadores como o Yield, que mede o retorno do aluguel.

Dados de 2025 apontam que o entorno da UFMG, na Pampulha, registra um dos yields mais elevados, enquanto o Coração Eucarístico se destaca pelo menor valor médio dos imóveis à venda. Já a região da Praça da Liberdade tende a atrair investidores interessados na valorização patrimonial de longo prazo.

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Apesar das diferenças entre os bairros, o cenário reforça a influência do calendário acadêmico sobre o mercado imobiliário da capital, com efeitos diretos tanto para quem busca moradia quanto para proprietários e investidores.

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Larissa Reis

Graduada em jornalismo pela UFMG e repórter da Rede 98 desde 2024. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagens premiadas pela CDL/BH em 2022 (2º lugar) e em 2024 (1º lugar).

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