O jornalista maranhense que publicou informações sobre o suposto uso de veículos do TJMA por familiares de Flavio Dino negou ter perseguido ou monitorado o ministro do STF. Em entrevista ao 98 Talks, nesta quinta-feira (13/8), Luis Pablo afirmou que recebeu informações de uma fonte, apurou o conteúdo e procurou os envolvidos antes de publicar reportagens sobre veículos utilizados pelo ministro e por familiares.
O caso voltou a repercutir após uma operação da Polícia Federal realizada nessa terça-feira (11), por determinação do ministro Alexandre de Moraes. A ação teve como alvos o ex-secretário do governo do Maranhão Raimundo Cutrim e um advogado. Segundo a investigação, Cutrim seria uma das fontes do jornalista.
Jornalista foi alvo de operação em março
Em março, a PF cumpriu um mandado de busca e apreensão contra Luis Pablo, também por determinação de Moraes. Na ocasião, foram apreendidos celulares e um computador.
Segundo o jornalista, o material apreendido permitiu aos investigadores identificar sua fonte. Luis Pablo afirmou que a decisão mais recente de Moraes demonstra que ele recebeu as informações de terceiros, e não que tenha monitorado Dino.
“Eu não persegui e em nenhum momento monitorei ele. A prova disso foi a própria decisão do ministro Alexandre de Moraes, apontando a revelação da minha fonte, em que eu recebi o material dessa fonte.”
Pablo também criticou a quebra do sigilo da fonte e afirmou que a medida pode criar um precedente para a atividade jornalística.
“A única coisa que assegura a prerrogativa do jornalista é a preservação da fonte. E, infelizmente, essa violação foi quebrada diante da decisão do ministro Alexandre de Moraes”.
Antes da publicação, o jornalista disse ter enviado pedidos de esclarecimento à Presidência do Tribunal de Justiça do Maranhão e ao gabinete de Flávio Dino, mas não recebeu resposta.
“Como todo jornalista, todo bom profissional, eu peguei esse material, apurei, chequei, encaminhei e-mail para todos os envolvidos.”
Investigação apura origem das informações
A Polícia Federal investiga a origem das informações sobre veículos utilizados por Flávio Dino e familiares. Segundo a apuração, os dados teriam sido obtidos por meio de sistemas de acesso controlado e posteriormente repassados ao jornalista.
A defesa de Raimundo Cutrim afirmou que ele é tratado pelos investigadores como fonte jornalística de Luis Pablo. O caso tramita sob sigilo no STF.
A investigação também apura uma transferência de R$ 100 mil envolvendo o jornalista. Na entrevista, Luis Pablo afirmou que o valor foi um empréstimo feito por um advogado e negou que tenha relação com as reportagens. Segundo ele, o dinheiro foi recebido antes de ter acesso ao material publicado.
Assista a entrevista na íntegra:
