Motoristas que utilizam veículos protegidos por associações mutualistas não precisam comunicar a entidade caso adesivem o carro ou participem de atividades de campanha eleitoral. A afirmação é do presidente da Confederação Nacional de Proteção Patrimonial Mutualista (CNPM), Kléber Vitor, durante entrevista ao 98 Talks, nesta quinta-feira (13/8).
A declaração ocorre após a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) orientar proprietários de veículos segurados a avisarem as seguradoras antes de utilizar o automóvel em campanhas eleitorais. Segundo a entidade, a mudança de uso pode aumentar os riscos de vandalismo, colisões e outros danos, o que pode influenciar a cobertura contratada.
Mutualismo não altera cobertura por propaganda eleitoral
Kléber Vitor explicou que as associações mutualistas trabalham com um modelo diferente das seguradoras tradicionais. Segundo ele, como os custos são compartilhados entre os associados, não há necessidade de comunicar a instalação de propaganda eleitoral no veículo.
“Na proteção veicular a gente não tem essa prática. O associado pode até informar algumas características do uso do veículo para fins de mapeamento, mas isso não agrava o risco. Se a pessoa adesivar o carro para uma campanha, ela continua sendo atendida normalmente. Em todas as associações mutualistas que eu conheço em Minas Gerais e no Brasil, a cobertura permanece a mesma.”
Ele acrescentou que apenas modificações estruturais feitas no veículo ou situações de fraude podem interferir na cobertura oferecida pela associação.
Polarização política motivou mudança nas seguradoras
Durante a entrevista, o presidente da CNPM afirmou que a preocupação das seguradoras surgiu após episódios registrados em eleições anteriores, quando veículos identificados com candidatos foram alvo de atos de vandalismo.
“Essa história começou porque, em eleições passadas, veículos plotados com candidatos diferentes começaram a ser depredados. As seguradoras entenderam que isso aumentava o risco e passaram a tratar esse cenário de forma diferente. Infelizmente, a polarização política acabou provocando esse tipo de situação.”
Segundo Kléber, embora esses casos tenham levado as seguradoras a revisar procedimentos, esse entendimento não foi adotado pelas entidades mutualistas.
CNPM fará campanha para esclarecer associados
Kléber Vitor informou ainda que a CNPM aproveitará a repercussão do tema para orientar os associados sobre as diferenças entre o seguro tradicional e a proteção patrimonial mutualista.
“Como esse assunto ganhou repercussão nos últimos dias, nós vamos fazer uma comunicação específica para esclarecer nossos associados. O importante é explicar que, no sistema mutualista, a simples colocação de propaganda eleitoral no veículo não muda a cobertura. Estamos falando de uma situação muito específica, relacionada a atos de vandalismo registrados em eleições anteriores, e não de uma regra geral para quem participa de campanhas.”
Segundo ele, o objetivo é evitar dúvidas entre os motoristas durante o período eleitoral e esclarecer como funciona a proteção oferecida pelas associações mutualistas.
