A Polícia Federal abriu inquérito para apurar a entrada no Brasil de cinco malas liberadas sem inspeção em um aeroporto de São Paulo, após a chegada de um voo que transportava o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e o senador Ciro Nogueira (Progressistas).
O caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que deu prazo de cinco dias para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
O episódio ocorreu em abril de 2024, quando Hugo Motta e Ciro Nogueira retornavam de viagem à ilha de São Martinho, no Caribe, em aeronave particular do empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG, ligado ao setor de apostas online.
Segundo a Folha de S.Paulo, um auditor fiscal autorizou a liberação das bagagens sem passagem pelo raio-X no Aeroporto Executivo Internacional Catarina, durante a noite, permitindo a retirada de cinco volumes fora do sistema de inspeção.
Também estavam no voo os deputados Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões. A presença de autoridades com foro privilegiado levou o caso ao STF após tramitação inicial na Justiça Federal de São Paulo.
A investigação apura possíveis crimes de facilitação de contrabando ou descaminho, além de prevaricação. O Ministério Público Federal não descarta a análise de eventual participação de passageiros.
Em nota à Folha, Hugo Motta confirmou presença no voo e afirmou ter seguido as normas legais no desembarque. Sua assessoria informou que aguardará manifestação da PGR.
A viagem teve como destino São Martinho, território classificado pela Receita Federal como paraíso fiscal desde 2017 e conhecido por atividades turísticas ligadas a cassinos. O empresário dono da aeronave já havia sido citado em outro episódio envolvendo autoridades: em maio de 2025, Ciro Nogueira utilizou um de seus aviões em viagem à Europa, período em que Fernandin OIG era investigado pela chamada CPI das Bets no Senado.
