A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (23/6), a Operação Miragem para investigar suspeitas de fraudes no sistema financeiro envolvendo o Banco Digimais. A Justiça Federal autorizou o bloqueio de até R$ 670 milhões em bens e valores de investigados, entre eles o empresário e líder religioso Edir Macedo, apontado como controlador da instituição financeira. A informação foi divulgada pelo Blog do Fausto Macedo, do Estadão.
Segundo a PF, o banco é suspeito de utilizar fundos de investimento para ocultar prejuízos bilionários e apresentar uma situação financeira mais favorável do que a real aos órgãos reguladores. As investigações foram baseadas em relatórios produzidos pelo Banco Central.
Ao todo, mais de 50 policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal de São Paulo. Além do bloqueio de bens, foi autorizado o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.
Entre os alvos das buscas estão executivos ligados ao Digimais, como o bispo João Urbaneja, considerado homem de confiança de Edir Macedo, seu filho, Thiago Urbaneja, e integrantes do Grupo ID, responsável pela administração de fundos de investimento relacionados ao banco.
Edir Macedo não foi alvo de mandados de busca porque reside fora do Brasil, segundo informações da investigação.
De acordo com a Polícia Federal, após assumir o controle do Digimais, Macedo direcionou a atuação da instituição para operações de crédito consignado e financiamento de veículos. Embora tenha havido um período inicial de crescimento, os investigadores afirmam que o banco passou posteriormente por uma deterioração financeira significativa, acumulando prejuízos expressivos.
A PF também aponta que, entre 2023 e 2024, o banco intensificou a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remuneração superior a 110% do CDI. Segundo os investigadores, parte dos recursos captados ficou exposta a carteiras de crédito do Banco Master, instituição que entrou em liquidação extrajudicial em novembro de 2025, gerando uma exposição estimada em cerca de R$ 600 milhões para o Digimais.
Outro ponto investigado é a suposta superavaliação de ativos mantidos em fundos administrados pelo Grupo ID. A Polícia Federal sustenta que os valores teriam sido artificialmente inflados para aumentar o patrimônio apresentado pelo banco e viabilizar novas captações de recursos no mercado.
As apurações também envolvem um fundo de direitos creditórios denominado Hermon. Segundo a investigação, ativos adquiridos inicialmente por cerca de R$ 71 milhões teriam sido reavaliados sucessivamente até alcançarem valor próximo de R$ 741 milhões. Para a PF, a operação pode ter sido utilizada para distorcer a real situação patrimonial da instituição.
Os investigados poderão responder, conforme o grau de participação de cada um, pelos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas pela legislação do Sistema Financeiro Nacional.
Até o momento, as defesas dos investigados não haviam se manifestado sobre as acusações.
