PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

STF condena Carla Zambelli a 10 anos de prisão e determina perda do mandato

Siga no

Anteriormente, a defesa de Zambelli havia pedido a conversão da prisão cautelar em domiciliar. No entanto, a Justiça rejeitou a solicitação (Lula Marques/ EBC)

Compartilhar matéria

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, por unanimidade, a deputada federal Carla Zambelli (PL) a 10 anos de prisão e à perda do mandato, por envolvimento na invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O voto do ministro Luiz Fux, proferido nesta quarta-feira (14), definiu o resultado do julgamento.

Ela pode apresentar embargos de declaração após a publicação do acórdão. O recurso não tem poder de alterar a condenação, mas adia o trânsito em julgado do processo. Eventual prisão precisa ser autorizada pela Câmara dos Deputados.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

A perda de mandato também teria que ser decidida pelos deputados. Porém, a jurisprudência do STF estabelece que, se a pena for superior a 120 dias de prisão em regime fechado, o próprio tribunal pode determinar a medida, já que a Constituição prevê que o deputado perderá o mandato se faltar a um terço das sessões. Nesse caso, cabe à Mesa Diretora da Câmara apenas declarar a perda do mandato.

Além de Fux e Moraes, votaram a favor da condenação os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia, totalizando o placar de 5 votos a 0.

Procurada, a assessoria de Carla Zambelli ainda não se manifestou. Quando houve a formação da maioria pela condenação, no dia 9 de maio, a parlamentar divulgou nota em que expressa sua “irresignação” e afirma que houve cerceamento de defesa e “inúmeras nulidades desprezadas”. Ela também afirma que a condenação é injusta, pois não há “provas irrefutáveis e induvidosas”.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Fux acompanhou o entendimento do relator do caso, ministro Alexandre de Moraes. Em seu voto, Moraes afirmou que a deputada manteve uma “ligação umbilical” com o hacker Walter Delgatti, com “objetivos antirrepublicanos”. Delgatti foi condenado a 8 anos e três meses de prisão.

Ele e Zambelli terão que pagar R$ 2 milhões por danos materiais e morais coletivos. Moraes também estabeleceu multas individuais de cerca de R$ 2,1 milhões para a deputada e de aproximadamente R$ 520 mil para o hacker. Os valores exatos ainda serão calculados no processo.

Zambelli tentou interromper o julgamento até que a Câmara dos Deputados se manifestasse sobre seu caso, como ocorreu com o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), mas o pedido foi negado por Moraes na segunda-feira.

De acordo com a acusação do Ministério Público, Zambelli teria coordenado a invasão aos sistemas do Poder Judiciário executada por Delgatti. No ataque ao sistema do CNJ, em 2023, foi emitido um mandado falso de prisão contra Moraes. “Expeça-se o mandado de prisão em desfavor de mim mesmo, Alexandre de Moraes. Publique-se, intime-se e faz o L”, dizia o documento falso.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Foi produzido ainda um recibo de bloqueio de R$ 22,9 milhões em bens do ministro — valor equivalente à multa imposta ao Partido Liberal (PL), do ex-presidente Jair Bolsonaro, por questionar as urnas eletrônicas.

A denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República foi aceita pela Primeira Turma do STF no ano passado, e o julgamento teve início na sexta-feira, dia 9. A PGR afirma que Carla Zambelli “comandou” e ajudou no “planejamento” do ataque cibernético. Walter Delgatti confessou os crimes.

A Polícia Federal (PF) apontou, no relatório final da investigação, que documentos apreendidos com a deputada correspondem, integral ou parcialmente, aos arquivos inseridos pelo hacker no sistema do CNJ, o que, para os investigadores, comprova que ela participou do ataque. Em seu voto, Alexandre de Moraes afirmou que essa é uma “prova técnica irrefutável” e demonstra, “além de qualquer dúvida razoável”, o envolvimento direto da deputada nos crimes. A PF concluiu que o ataque foi planejado para colocar em dúvida a credibilidade do Poder Judiciário.

Walter Delgatti narrou à Polícia Federal que recebeu cerca de R$ 40 mil para tentar invadir os sistemas do Judiciário. Ele entregou comprovantes de transferências que somaram R$ 10,5 mil, feitas por um ex-assessor da deputada. O restante, segundo o relato, teria sido entregue em espécie, em São Paulo. Os investigadores, no entanto, desmontaram parte do depoimento. A PF concluiu que os pagamentos do ex-assessor foram para a compra de garrafas de uísque.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

As únicas mensagens encontradas entre Carla Zambelli e Walter Delgatti tratavam de Alexandre de Moraes. A deputada enviou dois áudios pedindo o endereço do ministro. Ela alegou que sua mãe queria enviar uma carta ao magistrado.

A deputada também afirmou ter contratado o hacker para administrar seu site e redes sociais, mas assessores ouvidos na investigação negaram que ele tenha efetivamente prestado esses serviços.

Carla Zambelli responde a outro processo no STF por perseguir um homem com uma pistola na véspera do segundo turno das eleições de 2022. Já há maioria formada para condená-la por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo, além de cassar seu mandato, mas o julgamento está suspenso por um pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Compartilhar matéria

Siga no

Webstories

Mais de Entretenimento

Mais de Notícias

Jornalista Eduardo Costa deve disputar vaga na Assembleia Legislativa pelo União Brasil

Sem apoio suficiente, CPI da Educação perde força na Câmara de BH

Projeto de escolas cívico-militares deve avançar na ALMG, mas tramitação pode ser lenta

‘Nem sou pré-candidato’, diz Flávio Roscoe ao comemorar 2% em pesquisa eleitoral

Defesa de Vorcaro pede transferência para a Papudinha após ida para cela comum da PF

Lula e Margareth anunciam novas políticas culturais durante evento no Espírito Santo

Últimas notícias

Domínguez celebra ‘tranquilidade’ para evolução no Atlético após vitória sobre o Cienciano

Fique por dentro de tudo que rolou no Dia da Indústria da Fiemg

CEO da Gerdau, critica aço chinês e cobra defesa contra ‘competição desleal’

Fiemg alerta para riscos na discussão sobre fim da escala 6×1: ‘o momento não é esse’

Custo Brasil e juros altos: Fiemg alerta para cenário ‘extremamente complexo’ em Minas, no Dia da Indústria

Atlético tem boa atuação e derrota o Cienciano-PER na Arena MRV

Investimento bilionário e recordes na educação: Fiemg celebra números do Pro Indústria, de 2018 a 2026

Zagueiro Manoel tem contrato registrado no BID e ganha condições de jogo

Michael Jackson: Netflix anuncia série documental em três partes sobre julgamento do cantor