Um documentário que acompanha a trajetória de integrantes da primeira geração de estudantes negros cotistas no ensino superior brasileiro teve sua pré-estreia nesta quinta-feira (15/10), no YouTube. “Trajetórias de Cotistas: por onde anda a primeira geração?” reúne 12 histórias e aborda as mudanças provocadas pelo acesso à universidade na vida dos estudantes, de suas famílias e comunidades. A produção é idealizada pelo professor Rodrigo Ednilson de Jesus, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com roteiro e direção da jornalista Queila Ariadne.
O lançamento ocorre em um ano que marca os 14 anos da Lei de Cotas. O documentário parte das experiências dos primeiros estudantes beneficiados por políticas de reserva de vagas, adotadas por algumas universidades antes mesmo da legislação federal de 2012.
Uma das personagens é Rute Costa, de 42 anos, formada em Nutrição pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 2008. Atualmente, ela é doutora em Educação em Ciências e Saúde, professora adjunta da UFRJ e fundadora do grupo de estudos e pesquisas CulinAfro.
“Entrar na universidade foi um divisor de águas na minha vida. E, mais do que isso, acreditar que a partir da educação seria possível superar alguns desafios da pobreza e do racismo”, afirma.
Cotistas têm taxa de conclusão de 49%
O documentário também aborda a permanência dos estudantes que ingressaram no ensino superior por meio das cotas.
Dados do Censo da Educação Superior de 2024, organizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apontam que, a cada 100 pessoas que entram na universidade, 42 concluem o curso. Entre os cotistas, o índice chega a 49%.
Para Rodrigo Ednilson de Jesus, as trajetórias ajudam a mostrar efeitos da política para além da formação individual dos estudantes.
“Neste ano de 2026 comemoramos 14 anos da Lei de Cotas. Mas as primeiras experiências de reserva de vagas para pessoas negras no ensino superior brasileiro surgiram há quase 25 anos. De lá para cá, muitas pessoas, famílias e comunidades foram transformadas”, afirma.
“Neste sensível documentário, queremos compartilhar um pouco dessas histórias inspiradoras, que foram fortemente impactadas pelo poder da educação e das políticas públicas de promoção de direitos”, completa.
Lei de Cotas
A Lei nº 12.711, de 2012, estabeleceu regras para a reserva de vagas nas universidades e institutos federais. Metade das vagas é destinada a estudantes oriundos de escolas públicas, com critérios que consideram renda e a reserva para pessoas autodeclaradas pretas, pardas e indígenas de acordo com a participação desses grupos na população de cada estado.
Rodrigo Ednilson de Jesus é coordenador da Coordenadoria de Políticas de Ações Afirmativas e Inclusão Social da UFMG. Graduado em Ciências Sociais, mestre em Sociologia e doutor em Educação pela universidade, também atua na formação e coordenação de bancas de heteroidentificação.
“Trajetórias de Cotistas: por onde anda a primeira geração?” tem direção, roteiro, produção e edição de textos de Queila Ariadne. A equipe de pesquisa e produção é formada por Bruno Egonu, Lidiane Barreto, Pollyanna Nicodemos e Tiago Heliodoro Nascimento.