O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4/11). A decisão interrompe uma sequência de cinco reduções consecutivas, iniciada em março deste ano, quando os juros estavam em 15%.
A manutenção da taxa era esperada pela maioria dos analistas do mercado financeiro, diante da piora das expectativas econômicas após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 25 de outubro.
Desde o segundo turno das eleições, o dólar acumulou valorização de 9,46% em relação ao real. A moeda norte-americana passou de R$ 4,98, na véspera da votação, para R$ 5,45 no fechamento desta quarta-feira.
A alta do dólar e as preocupações com a política fiscal do governo contribuíram para aumentar a cautela dos agentes econômicos. Parte do mercado teme a continuidade de medidas que ampliem os gastos públicos, o que pode pressionar as expectativas de inflação e dificultar novas reduções dos juros.
Selic teve cinco reduções consecutivas
O ciclo de cortes começou em março de 2026, depois de a taxa básica permanecer em 15% ao ano durante nove meses.
Desde então, o Copom realizou cinco reduções de 0,25 ponto percentual cada, acumulando uma queda de 1,25 ponto percentual.
Com a decisão desta quarta-feira, a Selic permanece em seu menor patamar desde março de 2025, quando estava em 13,25% ao ano.
Antes da reunião, 24 dos 29 analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam a manutenção da taxa. Outros cinco esperavam uma nova redução de 0,25 ponto percentual.
A decisão foi tomada na primeira reunião do Copom após a eleição presidencial e é considerada um dos principais testes para a condução da política monetária sob a presidência de Gabriel Galípolo, que assumiu o Banco Central em janeiro de 2025.
Como a decisão afeta a economia?
A Selic é a principal ferramenta utilizada pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros permanecem elevados, o crédito tende a ficar mais caro, o que desestimula o consumo e os investimentos.
Por outro lado, taxas mais altas também podem ajudar a conter a demanda e reduzir pressões sobre os preços.
A manutenção dos juros em 13,75% significa que financiamentos, empréstimos e outras operações de crédito continuam sujeitos a um cenário de juros elevados, embora as taxas cobradas pelos bancos também dependam de outros fatores.
O Banco Central voltará a avaliar a trajetória da Selic nas próximas reuniões, considerando a evolução da inflação, das expectativas econômicas e das condições do mercado financeiro.