O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (18), durante audiência no Senado Federal, que o Banco Master era uma espécie de instituição da “terceira divisão” do sistema financeiro brasileiro. A declaração foi dada ao comentar o caso envolvendo o banco, liquidado pelo BC no ano passado.
“Ele é um banco S3”, disse Galípolo, ao citar a classificação interna utilizada pela autoridade monetária. “Para explicar, e espero que os outros bancos S3 não se ofendam, era da terceira divisão do futebol que é o sistema financeiro brasileiro”, afirmou.
Segundo o presidente do BC, o Master não representava risco sistêmico ao mercado financeiro por corresponder a menos de 0,5% dos ativos do sistema bancário nacional. Ainda assim, Galípolo afirmou que o caso ganhou relevância devido à forma como os recursos eram utilizados pela instituição.
O Banco Master chamou atenção do mercado por oferecer Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com retornos elevados, respaldados pela cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo que protege aplicações de até R$ 250 mil.
PF investiga fraudes e lavagem de dinheiro
A Polícia Federal (PF) conduz investigações sobre suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e uso de recursos públicos em operações ligadas ao Banco Master. As apurações também apontam gastos milionários com festas e despesas envolvendo autoridades políticas.
Dois servidores do Banco Central chegaram a ser afastados por suspeita de envolvimento no caso. Um deles é o ex-chefe de Supervisão Bancária Belline Santana, suspeito de simular contratos que somaram R$ 4 milhões para recebimento de propina. Já o ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza é investigado por supostamente manipular informações sobre a fiscalização do banco.
Galípolo afirmou que o episódio gerou “luto” entre os servidores do BC e disse que apenas a Justiça poderá determinar responsabilidades. “Todo o corpo técnico sente um efetivo luto com o que aconteceu”, declarou.
“Banco Central não é palanque”, diz Galípolo
Durante a audiência, Galípolo também rebateu críticas sobre uma suposta pressão política envolvendo o veto do BC à compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília).
“O Banco Central não é palanque, toma decisão correta independentemente de quem está jogando pedra e fazendo barulho”, afirmou.
O presidente da autoridade monetária também disse que o BC não pode ser “arrastado para esse tipo de debate político” e defendeu a preservação da autonomia e da credibilidade da instituição.
Galípolo ainda voltou a comentar o encontro realizado em novembro de 2024 entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Daniel Vorcaro e integrantes do governo federal no Palácio do Planalto. Segundo ele, o banqueiro afirmou na ocasião que o Master vinha sendo perseguido por incomodar concorrentes do setor, argumento que, na avaliação do presidente do BC, fazia pouco sentido diante do tamanho reduzido da instituição no mercado financeiro.