O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, criticou nesta terça-feira (19) a proposta de fim da escala 6×1 e afirmou que a medida pode provocar aumento do desemprego e do custo de vida no país.
A declaração foi dada durante reunião com parlamentares do Partido Liberal (PL), em meio ao avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, além da ampliação do descanso semanal para dois dias.
Segundo Flávio, a proposta defendida pelo governo federal e por setores da esquerda tenta vender uma solução “fácil” para os trabalhadores.
“Todo mundo é a favor que se trabalhe menos e se ganhe mais. Só que, infelizmente, não é a realidade estar nesse projeto de lei apresentado pelo governo em ano eleitoral, com uma grande carga de hipocrisia e interesse nas eleições”, afirmou.
“Tenta vender uma solução fácil para a população que não vai resolver, vai gerar desemprego em massa, vai gerar aumento do custo de vida e vai prejudicar mais os trabalhadores do que ajudar”, completou.
Críticas à CLT
Durante a fala, Flávio Bolsonaro também criticou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), criada em 1943, e afirmou que a legislação não acompanha as mudanças do mercado de trabalho atual.
“É uma legislação de 1943, na época em que não tinha internet, não tinha home office, não tinha aplicativos de entrega”, declarou.
O senador defendeu um modelo alternativo baseado em remuneração proporcional às horas trabalhadas, mas com manutenção de direitos trabalhistas como férias, 13º salário e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
“Foi passado aqui pra nossa bancada essa sugestão, essa alternativa, que seria sim o trabalho remunerado pelas horas de trabalho com a garantia de todos os direitos trabalhistas, 13º, Fundo de Garantia, férias, todos os direitos trabalhistas garantidos, obviamente proporcionais às horas de trabalho”, disse.
Segundo ele, o modelo daria mais liberdade para os trabalhadores definirem suas próprias jornadas.
“O trabalhador é que vai poder escolher a jornada que quiser. É liberdade para o trabalhador escolher o que ele quiser para trabalhar. Se quiser trabalhar mais, trabalha mais. Se não puder trabalhar tanto e precisar de flexibilidade, isso também vai tá atendido por essa legislação”, afirmou.
Discurso voltado às mulheres
Flávio Bolsonaro também afirmou que a proposta defendida pelo PL poderia ampliar a participação de mulheres no mercado de trabalho.
“23% das mulheres no Brasil não conseguem e não podem trabalhar, na verdade, por causa dessa jornada endurecida”, declarou.
Segundo o senador, a flexibilização permitiria jornadas reduzidas para mães com filhos pequenos, facilitando a conciliação entre trabalho e cuidados familiares.