A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (1/6) uma redução de 14,2% no preço do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras. A variação representa uma diminuição de R$ 0,93 por litro do combustível e quebra uma sequência de três aumentos mensais consecutivos nas refinarias. De acordo com a estatal, o recuo nos valores reflete diretamente a atenuação no cenário de elevação das cotações internacionais do petróleo.
A queda traz um fôlego financeiro imediato para as companhias aéreas que operam voos nacionais e internacionais no país. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) destaca que o querosene de aviação representa cerca de 45% de todos os custos operacionais do setor. Apesar do alívio anunciado para o mês de junho, o combustível ainda acumula uma alta expressiva de 54,5% desde janeiro deste ano.
Mesmo com a redução do preço, a diretoria da estatal confirmou, entretanto, que manterá a opção de parcelamento para as distribuidoras parceiras. As empresas compradoras poderão diluir o custo do QAV em até seis parcelas mensais, uma facilidade que o governo criou originalmente em abril. A Petrobras também assegurou que todos os volumes solicitados para o mês estão confirmados, descartando riscos de desabastecimento.
Prorrogação de desoneração e apoio do governo federal
A redução do combustível soma-se a um pacote de socorro estruturado pelo governo federal para conter a inflação no setor de transportes. No último sábado (30), o Palácio do Planalto publicou a prorrogação, por mais dois meses, da desoneração do PIS/Cofins sobre o QAV. O benefício fiscal tributário terminaria em maio, mas continuará valendo em todo o território nacional até o dia 31 de julho.
Além do alívio nos impostos federais, o Ministério da Defesa concedeu uma carência especial para o pagamento das tarifas de navegação aérea devidas à Força Aérea Brasileira. As empresas do setor ganharam o direito de adiar o recolhimento das taxas de julho, agosto e setembro para dezembro de 2026. A medida, portanto, busca dar fôlego ao fluxo de caixa das empresas aéreas diante dos choques geopolíticos globais.
Por fim, a Petrobras esclareceu que sua política contratual utiliza uma fórmula paramétrica que funciona como um amortecedor de curto prazo para o mercado interno. O mecanismo evita que a volatilidade diária das bolsas internacionais seja repassada integralmente e de forma imediata aos consumidores brasileiros. Atualmente, a companhia responde por cerca de 85% de toda a produção de querosene de aviação do país.
