O economista Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2008, criticou a investigação aberta pelos Estados Unidos sobre o Pix e afirmou que o presidente Donald Trump tenta punir o Brasil pelo sucesso do sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central.
Em artigo publicado nesta segunda-feira (20/7), Krugman rebateu a tese do governo norte-americano de que o Pix representaria uma prática comercial desleal contra empresas dos Estados Unidos. Na avaliação do economista, a ferramenta ampliou a concorrência ao oferecer uma alternativa mais barata e eficiente para consumidores e empresas.
Krugman diz que Pix oferece um sistema melhor e mais barato
O Nobel de Economia argumenta que o Pix funciona como uma versão digital do real e destaca que os bancos que operam no Brasil são obrigados a disponibilizar o sistema aos clientes.
Para ele, o fato de empresas como Visa e Mastercard perderem espaço para o Pix não configura concorrência desleal.
“Quem é prejudicado pelo surgimento do Pix? A capacidade dos brasileiros de fazer pagamentos instantâneos e baratos por meio de seus celulares certamente prejudica os negócios da Visa e da Mastercard, ambas empresas americanas. Mas desde quando é prática comercial desleal uma empresa perder clientes para um concorrente que oferece um produto melhor e mais barato?”, escreveu.
Krugman também questionou a justificativa apresentada pelos Estados Unidos para incluir o Pix na investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
“Por que seria desleal um país oferecer aos seus próprios cidadãos uma forma melhor de fazer compras e pagar contas?”, afirmou.
Economista vê preocupação dos EUA com sistemas públicos de pagamento
No artigo, Krugman afirma que o caso brasileiro vai além da disputa envolvendo empresas de cartões e representa um debate sobre o futuro dos meios de pagamento.
Segundo ele, embora o Brasil seja pequeno para ameaçar a posição internacional do dólar, sistemas públicos de pagamento e moedas digitais emitidas por bancos centrais podem, no futuro, reduzir a dependência de soluções privadas.
O economista cita como exemplo a proposta do Banco Central Europeu de lançar um euro digital nos próximos anos.
Tarifas podem fortalecer Lula, avalia Nobel
Krugman também avaliou que a política tarifária adotada pelo governo Trump pode produzir efeito contrário ao esperado.
Na análise do economista, a medida tende a fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e terá impacto econômico limitado, já que os próprios consumidores norte-americanos poderão ser afetados pela alta nos preços de produtos brasileiros, como café, carne bovina e suco de laranja.
“Agora, usar tarifas para punir o Brasil por suas conquistas monetárias não terá sucesso. Politicamente, a medida só fortalecerá o presidente Lula. Economicamente, o alcance das tarifas será limitado pelos temores do governo Trump de que os preços do café, suco de laranja, carne bovina e outros produtos subam ainda mais”, concluiu.