Em entrevista ao Meio Dia em Pauta, o economista e professor do Ibmec BH, Cláudio Shikida, defendeu que a liberdade econômica e a responsabilidade fiscal são pilares indispensáveis para o desenvolvimento sustentável do país. Autor do capítulo “Liberdade Econômica para Crescer”, do estudo Caminhos da Prosperidade, publicado pelo Instituto Millenium, o especialista detalhou os principais gargalos que travam o crescimento nacional.
Shikida destacou que a ausência de um teto fiscal rígido transfere prejuízos para as futuras gerações. Nesse sentido, o inchaço do Estado reduz a eficiência da máquina pública e sufoca a capacidade de investimento da iniciativa privada.
“Se você não faz isso, o Estado fica gigantesco, vai ocupando espaços que seriam da iniciativa privada e, se ele não tem responsabilidade fiscal, pior ainda: ele vai só gerando dívida. Ou seja, o neto, o bisneto do ouvinte é que vai pagar a conta de um Estado mais ineficiente”, alertou o economista.
Gargalos na produtividade e educação
Para o economista, o ganho real de produtividade no Brasil depende diretamente de reformas estruturais na educação básica. Ele apontou, então, que a falta de estímulo ao raciocínio lógico e à criatividade nas escolas compromete o desempenho dos jovens em avaliações internacionais, como o Pisa.
“Se a gente está num mundo cada vez mais dominado pela automação e pela inteligência artificial, isso libera tempo para a gente ser mais produtivo. E como é que a gente aumenta a produtividade? Desenvolvendo novas ideias, novos modelos, tentando ver maneiras de cortar custos e fazer produtos com mais valor adicionado. Isso tudo você só consegue se tem criatividade, se sabe ler, escrever e fazer conta”, explicou Shikida.
Desburocratização e abertura de mercado
Questionado sobre o ambiente de negócios brasileiro, o professor, portanto, defendeu o aprofundamento da Lei de Liberdade Econômica para mudar a relação entre o poder público e os empreendedores. Segundo o especialista, a legislação inverte o ônus da prova ao permitir que a fiscalização ocorra após o início dasatividades, simplificando processos municipais e estaduais.
“A Lei de Liberdade Econômica inverte esse ônus da prova: não é mais o empreendedor que tem que provar que é inocente até prova em contrário. É o Estado que tem que dar uma chance para ele e, eventualmente, fiscalizar depois”, destacou o autor durante a entrevista.
Além do combate à burocracia, Shikida, por fim, reforçou que a ampliação da concorrência e a abertura comercial são os caminhos mais eficientes para beneficiar o consumidor final e eliminar distorções de mercado.
“Se fosse resumir, é abertura econômica. Tentar ter mais competitividade onde você conseguir e pensar sempre no consumidor, no cidadão no final. É aquela massa de pessoas mais desorganizada, que não tem poder de organização e que, assim, sempre acaba sofrendo quando você protege algum setor da economia”, concluiu o economista.
