A Bolsa de Valores brasileira interrompeu as negociações nesta segunda-feira (26/10), após uma queda de 10% no Ibovespa, provocada pela reação do mercado financeiro à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O mecanismo de suspensão, conhecido como circuit breaker, foi acionado pela primeira vez desde março de 2020, durante a pandemia de Covid-19. O dólar também disparou e os juros futuros registraram forte alta.
Por volta das 14h40, a moeda norte-americana avançava 8,92%, cotada a R$ 5,435. No mesmo horário, o risco-Brasil subia 18%, enquanto as taxas dos contratos de juros futuros apresentavam elevação de até 280 pontos-base.
A reação ocorreu após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25/10). Parte dos investidores apostava na vitória do candidato do PL e em uma política de maior contenção dos gastos públicos.
O que é o circuit breaker?
O circuit breaker é um mecanismo de segurança da B3, a Bolsa de Valores brasileira, utilizado para interromper temporariamente as negociações quando o mercado registra quedas acentuadas.
A primeira suspensão ocorre quando o Ibovespa recua 10% em relação ao fechamento anterior. Nesse caso, as operações são interrompidas por 30 minutos.
Se, após a retomada, a queda atingir 15%, a paralisação passa a durar uma hora. Caso o índice recue 20%, a B3 pode determinar uma nova suspensão, com duração definida pela própria instituição.
O objetivo é reduzir a volatilidade e permitir que investidores reavaliem suas decisões em momentos de instabilidade.
Dólar e risco-Brasil sobem
Além da queda das ações, a reação dos investidores atingiu o câmbio e os contratos de juros futuros.
O dólar registrava valorização de 8,92% às 14h40, enquanto o risco-Brasil avançava 18%. O indicador representa a percepção de risco dos investidores em relação aos ativos brasileiros.
Uma elevação do risco pode aumentar o custo de financiamento do governo e das empresas no exterior.
Os juros futuros também subiram, com avanço de até 280 pontos-base. O movimento reflete a expectativa de maior risco fiscal e pode encarecer o crédito no país.
Mercado havia subido após primeiro turno
A queda desta segunda-feira contrasta com a reação dos investidores ao primeiro turno das eleições.
Após Flávio Bolsonaro terminar a votação de 4 de outubro à frente de Lula, o Ibovespa avançou 7,70% no pregão seguinte e alcançou 206.911 pontos.
Na mesma sessão, o dólar recuou 4,11%, para R$ 5,001, na maior queda percentual diária de fechamento desde 2018.
Na avaliação de parte dos agentes financeiros, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia resultar em medidas mais rígidas de ajuste fiscal. A reeleição de Lula aumentou as preocupações desse grupo com a trajetória das contas públicas.
Gestores já esperavam queda
Um levantamento do Citibank com 73 gestores de fundos de ações e multimercado indicou que 80% dos entrevistados esperavam queda superior a 5% no Ibovespa em caso de vitória de Lula.
Outros 7% projetavam recuo entre 1% e 5%, enquanto 3% esperavam valorização de 1% a 5%.
Em relação ao câmbio, 63% dos gestores previam desvalorização do real superior a 5%, e 28% estimavam perda entre 2% e 5%.
A movimentação desta segunda-feira representa a reação inicial dos investidores ao resultado eleitoral e não determina, por si só, o comportamento da economia brasileira durante o próximo mandato.