O setor que mais sustenta a economia brasileira segue em alta, mas demonstra recuo em Minas Gerais e outros oito estados. Enquanto o país atingiu o maior nível da série histórica, o estado registrou queda de 3,7% em fevereiro na comparação anual, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No Brasil, o volume de serviços cresceu 0,5% frente a fevereiro de 2025 e acumula 23 resultados positivos consecutivos.
Brasil atinge recorde histórico
Na comparação mensal, o setor avançou 0,1% em fevereiro sobre janeiro, suficiente para manter o nível recorde da série iniciada em 2011. O crescimento foi puxado principalmente por:
- informação e comunicação: +1,1%
- transportes: +0,6%
- serviços às famílias: +1,4%
O acumulado em 12 meses chegou a 2,7%.
Minas aparece entre as maiores quedas do país
Na comparação com fevereiro do ano passado, apenas 9 dos 27 estados tiveram crescimento. Minas Gerais ficou entre os destaques negativos:
- Minas Gerais: -3,7%
- Paraná: -3,8%
- Ceará: -7,4%
O resultado contrasta com estados como:
- São Paulo: +3,7%
- Distrito Federal: +4,5%
- Mato Grosso: +2,7%
O que puxou o resultado
No cenário nacional, o avanço foi sustentado por atividades ligadas à tecnologia como desenvolvimento de softwares, hospedagem de dados e serviços online e plataformas digitais e e-commerce.
Já os recuos vieram principalmente de transporte aéreo de passageiros, logística e gestão de cargas e atividades financeiras e seguros.
Transporte tem comportamento misto
O transporte de cargas cresceu 0,9% em fevereiro, após dois meses de queda. Já o transporte de passageiros ficou estável (0,0%), depois de três recuos seguidos, acumulando perda de 4,9% no período recente.
Na comparação anual:
- passageiros: -4,0%
- cargas: -0,7%
Serviços às famílias mostram reação
O segmento ligado ao consumo direto como bares, restaurantes e hotéis cresceu 1,4% no mês. Foi a maior alta desde março de 2025.
Nem todos os setores avançaram
Duas áreas seguem em queda:
- serviços profissionais e administrativos: -0,3% (terceira queda seguida)
- outros serviços: -0,4%
Esses segmentos acumulam retração recente e ajudam a explicar a desaceleração em parte do país.
Turismo acumula três quedas seguidas
O setor turístico recuou 0,9% em fevereiro, terceiro resultado negativo consecutivo. No acumulado recente, a queda chega a 1,7%. Mesmo assim, o nível ainda está 11,4% acima do pré-pandemia e 2% abaixo do pico histórico (dezembro de 2024).
Impacto direto em Minas e BH
A queda em Minas acende alerta porque o estado depende fortemente do setor de serviços, especialmente em cidades como Belo Horizonte.
Na prática, isso pode refletir em:
- menor ritmo de contratação
- desaceleração no comércio e turismo
- impacto em atividades urbanas como alimentação e transporte
Crescimento não é uniforme
O cenário desenhado pelo IBGE é de instabilidade. Mesmo com recorde nacional, o setor apresenta:
- diferenças regionais fortes
- setores crescendo e outros recuando
- sinais de desaceleração em áreas-chave
