Juiz de Fora encerra fevereiro com quase três vezes o volume de chuva esperado para o mês. Até a manhã desta quarta-feira (25/2), o município da Zona da Mata acumulou 595 milímetros, o que representa 250% da média histórica, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).
É o maior desvio registrado entre as estações convencionais do estado, que são postos oficiais de observação climática. O cenário de excesso de chuva também se repete em outras regiões mineiras. Em Belo Horizonte, o acumulado já chega a 325 milímetros, volume 83% acima da média climatológica para fevereiro. Em Lavras, no Sul de Minas, são 341 milímetros, 91% acima do esperado.
No Norte e no Vale do Jequitinhonha, os desvios também chamam atenção: Januária registra 140% acima da média, enquanto Itamarandiba acumula 134% acima do padrão histórico. Fevereiro mais chuvoso que o normal em Minas
A meteorologista do INMET, Anete Fernandes, explica que fevereiro normalmente apresenta redução das chuvas em relação a janeiro por causa do chamado “veranico” — período de dias consecutivos sem precipitação dentro da estação chuvosa.
Segundo ela, o cenário em 2026 foi diferente. “Normalmente, em um ano típico, fevereiro tem uma redução das chuvas em relação a janeiro, porque ocorre o que chamamos de veranico, uma sequência de dias sem chuva durante a estação chuvosa. No ano passado, por exemplo, praticamente não choveu em fevereiro no estado. Este ano foi diferente. Logo no início do mês tivemos a atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul, que manteve chuvas recorrentes em grande parte de Minas”, afirmou.
O que provocou a volta da chuva após o Carnaval
Durante os dias de Carnaval houve um intervalo sem precipitações significativas, mas a chuva voltou logo depois. De acordo com Anete Fernandes, a mudança ocorreu a partir do dia 18 de fevereiro, com a formação de uma área de baixa pressão no litoral do Sudeste.
“Tivemos um período de estiagem durante o Carnaval, mas foi pontual. A partir do dia 19, uma área de baixa pressão se formou no litoral da região Sudeste. Essa condição manteve um canal de umidade estabelecido entre a Amazônia e as regiões Centro-Oeste e Sudeste, o que provocou chuvas recorrentes em grande parte do estado desde então”, explicou.
Apesar da configuração lembrar a chamada ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul), a meteorologista esclarece que o fenômeno não se caracterizou oficialmente como uma ZCAS clássica.
Previsão indica redução da chuva nos próximos dias
Com o fim de fevereiro, a tendência é de enfraquecimento do sistema. Segundo o INMET, a situação começa a melhorar principalmente na Região Metropolitana de Belo Horizonte e na Zona da Mata a partir do sábado.
“A situação melhora a partir do sábado, quando o sistema se desloca para o Norte. As chuvas ainda persistem no Norte de Minas e na Bahia, mas depois o sistema perde força e se dissolve”, afirmou a meteorologista.
Solo encharcado mantém alerta
Mesmo com a previsão de diminuição das chuvas, o volume acumulado ao longo do mês mantém o solo saturado em várias regiões de Minas Gerais. O cenário exige atenção especialmente na Zona da Mata e na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde os acumulados foram mais expressivos e o risco de ocorrências pontuais — como alagamentos e deslizamentos — ainda persiste.
