A candidata de direita Keiko Fujimori ampliou a vantagem sobre o esquerdista Roberto Sánchez na disputa pela Presidência do Peru. Com 99,396% das urnas apuradas, Keiko aparece com 50,109% dos votos, contra 49,891% de Sánchez, uma diferença de 39.890 votos.
Apesar da reta final da contagem, o resultado oficial da eleição, realizada em segundo turno no último dia 7 de junho, só deve ser proclamado em julho pelas autoridades eleitorais peruanas.
Partido de Sánchez convoca mobilização nacional
Diante do avanço da candidata do partido Força Popular, o Juntos pelo Peru convocou manifestações em todo o país para esta sexta-feira. A legenda afirma que os atos serão realizados “em defesa do voto, da vitória do povo e da democracia”.
Em nota, o partido questionou a transparência do processo eleitoral e afirmou que houve mudanças de regras durante a disputa, além de supostas irregularidades na apuração.
“Denunciamos a falta de transparência das organizações que conduzem o processo eleitoral, a mudança das regras eleitorais em pleno processo, uma série de irregularidades, vícios de nulidade e manobras político-midiáticas que ameaçam a justiça eleitoral e a vontade soberana do povo peruano”, declarou a legenda.
Candidato da esquerda fala em dúvidas sobre resultado
Roberto Sánchez afirmou que seus apoiadores estão utilizando mecanismos legais para contestar parte da votação, mas negou que esteja incentivando ações fora da legalidade.
“Ter dúvidas razoáveis, apresentar recursos e exercer o direito de defender os votos não significa que não reconheçamos os resultados. Temos dúvidas razoáveis e também adotamos as medidas legais cabíveis porque consideramos que a situação ainda não está clara”, declarou.
Ao longo da apuração, os dois grupos políticos apresentaram pedidos de anulação de votos em diferentes regiões do país.
Recursos questionam milhares de urnas
O Juntos pelo Peru protocolou pedidos para anular 1.751 mesas eleitorais no território peruano e outras 649 instaladas nos Estados Unidos, locais onde Keiko Fujimori obteve ampla vantagem. Segundo a sigla, foram identificados supostos “padrões de repetição exata” em atas eleitorais, o que indicaria possíveis irregularidades na contagem dos votos.
Já o partido Força Popular também apresentou recursos à Justiça Eleitoral peruana. A legenda questiona resultados em mesas da região de Puno, reduto eleitoral de Sánchez, alegando problemas que teriam comprometido a transparência do processo.
Disputa segue indefinida
Embora Keiko Fujimori tenha ampliado a vantagem nas últimas atualizações da contagem oficial, os recursos apresentados pelos dois lados mantêm a disputa aberta até a conclusão da análise dos pedidos pela Justiça Eleitoral.
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko tenta vencer pela quarta vez uma eleição presidencial. Já Sánchez busca levar a esquerda novamente ao comando do país após anos de instabilidade política e sucessivas crises institucionais no Peru.