O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), saiu em defesa do líder do governo no Congresso, senador Jaques Wagner (PT-BA), alvo de uma operação da Polícia Federal nesta quinta-feira (18/6) no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.
Em declaração à imprensa, Alcolumbre afirmou que a presunção de inocência deve ser respeitada e criticou o que classificou como julgamentos antecipados de agentes públicos antes da conclusão das investigações.
“Meu apoio, minha solidariedade integral a um colega senador da República. Tenho a convicção que, no decorrer do processo, as verdades do senador Jaques Wagner virão à tona e elas serão comprovadas. Um dia elas serão julgadas, é lá nesse dia que a pessoa pode ser condenada ou inocentada”, declarou.
Segundo a Polícia Federal, Wagner é investigado por supostamente ter recebido vantagens econômicas ligadas ao esquema investigado na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Presidente do Senado defende presunção de inocência
Durante a entrevista, Alcolumbre afirmou que investigações são naturais em um Estado democrático de Direito, mas criticou a exposição pública de investigados antes do encerramento dos processos.
“Ninguém nesse país pode ser condenado antes do trânsito em julgado. E todos nesse país podem ser investigados. Isso é normal no Estado democrático de Direito, mas todos também têm que ter a presunção da inocência”, afirmou.
O senador disse que a sociedade tem invertido a lógica jurídica ao tratar investigados como culpados antes de uma decisão definitiva da Justiça.
“Só temos um problema: está todo mundo culpado até que se prove o contrário. Isso é muito triste para a democracia e para a política nacional. Todo mundo é culpado e condenado antes de ser julgado”, acrescentou.
Alcolumbre relaciona caso à polarização política
O presidente do Senado também atribuiu parte desse cenário ao ambiente de polarização política no país. Segundo ele, parlamentares de diferentes campos ideológicos costumam comemorar operações e investigações quando atingem adversários políticos.
“É muito cômodo que parlamentares do PT comemorem operações contra parlamentares do PL e que parlamentares do PL comemorem operações contra parlamentares do PT”, afirmou.
“Eu não comemoro nada contra a história de ninguém antes do trânsito em julgado. Muitas autoridades já foram vítimas dessa execração pública e, no passar do tempo, conseguiram provar sua inocência”, completou.
Alcolumbre afirmou ainda que “não é mais o amor que está prevalecendo, é o ódio”.
Relação entre Alcolumbre e Wagner passou por crise
A manifestação de apoio ocorre apesar do desgaste político entre os dois senadores nos últimos meses. A relação ficou estremecida após a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), decisão apoiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que contrariou interesses de Alcolumbre.
Mesmo com o afastamento político, o presidente do Senado afirmou que Jaques Wagner possui uma trajetória respeitada no Congresso e merece ter garantido o direito à ampla defesa.
Senador também citou acusações contra ele
Durante a entrevista, Alcolumbre também mencionou acusações divulgadas recentemente envolvendo seu nome e supostas relações com Daniel Vorcaro.
Na última terça-feira (16/6), o senador fez um pronunciamento no plenário do Senado negando ter recebido recursos do empresário e afirmou que pretende identificar a origem das acusações.
Ao comentar o caso de Wagner, o presidente da Casa voltou a defender cautela na divulgação de informações sobre investigações em andamento e disse que homens públicos muitas vezes sofrem exposição sem sequer terem acesso completo aos autos dos processos.
A operação contra Jaques Wagner foi realizada pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga supostos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência ligados ao Banco Master.