O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou nesta quinta-feira (18/6) que permanecerá na liderança do governo no Senado e que não acredita em uma eventual saída do cargo após ser alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que investiga suspeitas de favorecimento ao Banco Master.
Em entrevista à BandNews TV, o petista disse que conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a operação e recebeu uma demonstração de apoio do chefe do Executivo.
“O presidente Lula ligou para mim para se solidarizar comigo, dizer que mantém absoluta confiança em mim. A gente se conhece há 48 anos e, portanto, ele sabe qual é meu jeito de agir. Aliás, a Bahia sabe que a Bahia é terra de muro baixo. Se eu tivesse qualquer tipo de esquema fora do permitido, seguramente todo mundo saberia”, afirmou.
Segundo Wagner, a conversa não incluiu qualquer discussão sobre uma eventual mudança na liderança do governo no Senado.
Wagner diz que continuará na liderança
Questionado sobre a permanência no cargo, o senador afirmou que seguirá exercendo a função enquanto contar com a confiança de Lula.
“Eu continuo na liderança até que o presidente Lula peça para eu me retirar. Não acho que ele vai fazer isso, mas, se fizer, é um direito dele. O cargo de líder é do governo. Mas eu falei com ele hoje e ele sequer tocou nesse tema. Então, na minha opinião, ele vai manter”, declarou.
Wagner disse ainda que interpreta a operação como uma investigação em andamento e ressaltou que não responde a nenhuma ação penal.
“Por enquanto é uma mera investigação. Até agora eu não sou réu, não sou culpado, não sou nada. É uma investigação em cima do que eu imagino que a Polícia Federal encontrou no celular ou em alguma delação de alguém que eu desconheço quem foi. Vieram conferir comigo e eu estou absolutamente tranquilo em relação a tudo que eu tenho a dizer.”
Senador nega relação com Daniel Vorcaro
O líder do governo também rejeitou qualquer proximidade com o empresário Daniel Vorcaro, apontado como figura central das investigações envolvendo o Banco Master.
“A minha relação com Daniel Vorcaro é praticamente zero. Eu nunca tive maiores entendimentos com Daniel. O entendimento foi na venda do Cesta do Povo. Eu tive com Daniel apenas duas vezes. Uma vez quando ele veio se apresentar porque estava entrando de sócio do Augusto Lima na questão do Cesta. E a segunda vez quando o Augusto Lima me pediu uma indicação para a área jurídica do banco”, afirmou.
Segundo Wagner, foi nessa ocasião que indicou o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski para atuar como consultor jurídico da instituição financeira.
“Foi a segunda vez que eu vi Daniel Vorcaro. Fora isso, nunca tive nenhuma participação em conversa com ele. Vou repetir: eu conheci esse senhor duas vezes.”
Defesa sobre dinheiro apreendido
Durante a entrevista, Wagner também comentou os cerca de R$ 80 mil encontrados pela Polícia Federal durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão.
O senador afirmou que os valores têm origem lícita e estão relacionados a viagens internacionais realizadas ao longo dos últimos anos.
“Eu várias vezes viajei para o exterior. De 2019 para cá eu recebi de diárias aproximadamente R$ 70 mil. Outras vezes que fui viajar, comprei dólares ou euros pelo Banco do Brasil para fazer a viagem. Eu não tenho nenhuma coisa para esconder nesse dinheiro”, afirmou.
Segundo ele, os recursos estavam guardados em um cofre e parte deles permanecia nos envelopes utilizados pelo Senado Federal para o pagamento de diárias internacionais.
“Os envelopes, inclusive, eram envelopes com timbre do Senado Federal, que é quando você recebe a diária em espécie, em dólar. Do ponto de vista do dinheiro, eu estou absolutamente tranquilo. Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos do Master ou do Augusto Lima.”
Pré-candidatura ao Senado está mantida
Apesar da operação, Wagner afirmou que continuará no projeto de disputar a reeleição ao Senado em 2026.
“Minha candidatura está absolutamente mantida. Eu estou muito seguro de tudo que eu fiz. Estou muito seguro da minha vida pessoal. Eu não tenho CNPJ, eu só tenho CPF, não tenho empresa, não tenho nada. Eu tenho um apartamento que é o apartamento onde eu moro e meu sítio em Andaraí. Esse é meu patrimônio e está declarado no Imposto de Renda.”
O senador lembrou que também foi alvo de uma operação da Polícia Federal durante a campanha de 2018 e acabou sendo eleito para o Senado.
“Em 2018 teve uma busca e apreensão na minha casa por conta da Fonte Nova. Eu mantive minha candidatura e fui o senador mais bem votado da história da Bahia. Não estou dizendo que isso vai se repetir, mas eu não tenho por que retirar minha candidatura.”
Lula prestou solidariedade, diz senador
Ao comentar o contato com o presidente da República, Wagner afirmou que Lula classificou a operação como uma tentativa de desestabilizá-lo politicamente.
“O presidente Lula ligou para mim para dizer: ‘Fique firme, essa é uma tentativa de desestabilizar você. Conte com a minha confiança’. Então, do meu ponto de vista, até agora, o que eu tenho do presidente Lula é a solidariedade e a confiança.”
O senador também afirmou que respeita a atuação da Polícia Federal e do Judiciário, mas reforçou que as investigações ainda precisam ser concluídas.
“Eu recebi a Polícia Federal na minha casa. Evidentemente não à vontade, porque seis horas da manhã é extremamente desconfortável você ter sua porta arrombada e alguém entrar na sua casa. Mas eles fizeram a vistoria que queriam e agora eu espero a conclusão. Por enquanto é uma investigação, é um processo que está em curso.”
Wagner diz apoiar CPI do Banco Master
O petista também declarou ser favorável à criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master.
“Eu assinei a CPI do Banco Master. Apesar de não saber exatamente o que ela pode acrescentar, eu fiz questão de assinar para não parecer que eu tivesse qualquer preocupação em relação a essa CPI. Se ela for instalada, eu eventualmente até participarei.”