A União Europeia (UE) anunciou nesta segunda-feira (08/6) a liberação de € 2,8 bilhões (R$ 16,5 bilhões) em ajuda à Ucrânia. O repasse ocorre num momento em que Kiev afirma ter reconquistado mais de 600 quilômetros quadrados de território desde o início de 2026, sinalizando uma possível virada no campo de batalha.
Segundo a Comissão Europeia, o objetivo é sustentar a economia ucraniana e financiar reformas consideradas essenciais para a futura entrada do país no bloco europeu.
A comissária responsável por coordenar as adesões ao bloco, Marta Kos, destacou o ritmo das reformas implementadas por Kiev como fator determinante para a liberação dos recursos. “Estamos também abrindo caminho para novos avanços nas negociações de adesão”, afirmou.
Sétima parcela de um fundo bilionário
O valor liberado nesta segunda corresponde à sétima parcela de um fundo criado em 2024 com mais de € 50 bilhões destinados à Ucrânia. O repasse está vinculado ao cumprimento de metas de reforma pelo governo ucraniano.
Em abril, a UE aprovou um pacote separado e mais amplo, com previsão de empréstimo de € 90 bilhões (cerca de R$ 523 bilhões) a Kiev para cobrir necessidades orçamentárias e militares. O avanço só foi possível após a Hungria retirar seu veto ao pacote, o que ocorreu logo depois da derrota do primeiro-ministro Viktor Orbán nas eleições para seu rival pró-Europa, Péter Magyar.
Ucrânia diz ter reconquistado 600 km² em 2026
Na linha de frente, o comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia, Oleksandr Sirskii, afirmou que as tropas ucranianas retomaram mais de 600 quilômetros quadrados de território ao longo deste ano. Só em maio, segundo ele, Kiev recuperou cerca de 100 quilômetros quadrados a mais do que perdeu para os russos.
Sirskii não especificou as localidades onde os avanços ocorreram, dizendo apenas que, em determinados setores da linha de frente, os ucranianos mantêm a iniciativa. O presidente Volodimir Zelenski já havia mencionado o número de 600 quilômetros quadrados recuperados no mês anterior.
As informações não puderam ser verificadas de forma independente. O uso intenso de drones por ambos os lados transformou as áreas próximas ao front em zonas de difícil acesso para jornalistas e monitores externos.
Ainda assim, grupos independentes que acompanham o conflito também registraram uma desaceleração dos avanços russos. Se a tendência se confirmar, será a primeira mudança territorial significativa desde o fracasso da contraofensiva ucraniana de 2023.
Situação na linha de frente ainda é “difícil e dinâmica”
Apesar dos relatos de reconquista, Sirskii descreveu a situação no front como “difícil e dinâmica”. As forças russas seguem pressionando no leste e no sul do país, e o número de confrontos diários aumentou.
Um dos principais focos de combate é a cidade de Pokrovsk, no leste da Ucrânia, que a Rússia tenta conquistar desde meados de 2024. O comandante ucraniano também citou confrontos intensos nas áreas de Oleksandrivka e Huliaipole, no sudeste do país.
Ainda nesta segunda, um ataque com drones atribuído à Rússia atingiu a cidade de Zaporíjia, no sudeste da Ucrânia. Duas pessoas morreram e outras 15 ficaram feridas, segundo o governador regional, Ivan Fedorov.