O deputado federal Mario Frias (PL) transferiu R$ 645,4 mil a Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, em menos de 60 dias. A movimentação consta em relatório financeiro reproduzido no documento de uma investigação que teve o sigilo retirado nesta quinta-feira (10/9) pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O valor aparece entre as movimentações consideradas atípicas registradas nas contas da Go Up entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. No intervalo, a empresa movimentou R$ 19,03 milhões, sendo R$ 8,95 milhões em créditos e R$ 10,07 milhões em débitos.
Entre os principais remetentes, o relatório registra R$ 3,92 milhões da Moneycorp Banco de Câmbio, R$ 2,61 milhões da GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural, R$ 1 milhão de Marcello de Oliveira Lopes, R$ 750 mil da NTT Brasil e R$ 645,4 mil de Mário Frias.
A Polícia Federal (PF) chama atenção especificamente para os repasses do parlamentar. Segundo o documento, os rendimentos mensais de Frias alcançavam R$ 44.008,52. A investigação afirma que o envio de R$ 645,4 mil à empresa de Karina Gama em menos de 60 dias coloca “em questão o lastro financeiro” para sustentar as transferências.
Frias é identificado no documento como produtor executivo de Dark Horse. O longa foi gravado em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025, período que coincide parcialmente com o intervalo das movimentações financeiras da produtora analisadas no relatório.
Conta de Frias também foi analisada
Outra comunicação citada no documento trata de movimentações consideradas atípicas em uma conta bancária de Mario Frias. Entre 23 de abril de 2025 e 7 de abril de 2026, a conta movimentou R$ 882.570, sendo R$ 445,2 mil em créditos e R$ 437,2 mil em débitos.
De acordo com o documento, o banco usado pelo parlamentar informou que a totalidade dos valores recebidos naquela conta era proveniente do Tesouro Nacional, relacionada a verbas salariais e ressarcimento de despesas da atividade parlamentar.
Os R$ 645,4 mil enviados à Go Up, no entanto, não aparecem na movimentação dessa conta específica. A análise policial afirma que isso leva a crer que os repasses tenham ocorrido por meio de uma conta em outra instituição bancária.
Entre os destinatários identificados na conta analisada estão a Estratégia Comunicações, que recebeu R$ 115 mil; a Complexsys, com R$ 84,7 mil; o advogado Paulo Sergio R. Merli Jr., com R$ 82,5 mil; e Luiz Claudio Faria Velloso, identificado como secretário parlamentar e procurador de Frias, com R$ 20,2 mil. O relatório também registra R$ 103 mil transferidos pelo parlamentar para contas de sua própria titularidade em outras instituições.
As informações integram uma investigação em andamento. O documento registra hipóteses e suspeitas levantadas pelos investigadores e não representa condenação dos envolvidos.