Enquanto o ambiente escolar brasileiro ainda debate a restrição do uso de celulares em sala de aula, o uso de inteligência artificial generativa já se consolidou na rotina dos estudantes. Dados do Pisa 2025, levantamento internacional divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta terça-feira (8), revelam que quase metade dos alunos brasileiros de 15 anos utiliza chatbots de IA ao menos uma vez por semana para fins educacionais.
O índice de adesão no país supera a média verificada entre as nações desenvolvidas que integram a organização. A pesquisa, que avalia o desempenho em matemática, leitura e ciências, mediu pela primeira vez, então, a penetração dessas ferramentas digitais na rotina de estudos dos jovens.
Aplicações no aprendizado e rotina escolar
O maior contraste na comparação internacional aparece no uso da tecnologia para pesquisas rápidas sobre temas inéditos, atividade em que os estudantes brasileiros recorrem bem mais à IA. Por outro lado, para o resumo de leituras escolares, os índices nacionais praticamente se equiparam aos patamares globais.
A criação de textos completos e redações via chatbot apresenta, assim, uma dinâmica inversa, com os alunos no Brasil recorrendo menos ao recurso do que a média da OCDE. Além disso, uma parcela minoritária dos estudantes declara jamais utilizar qualquer ferramenta de inteligência artificial em suas tarefas acadêmicas.
O levantamento, portanto, reforça como o ecossistema educacional enfrenta o desafio de orientar o uso produtivo dessas plataformas digitais. O avanço da adesão informal entre os jovens exige que o debate pedagógico ultrapasse a mera proibição dos aparelhos e avance sobre a alfabetização digital e a integridade acadêmica.
