A CPMI do INSS enfrenta resistência no Congresso para prorrogar seus trabalhos. O avanço das investigações envolvendo Fábio Luis Lula da Silva e o Banco Master aproximou PT e Centrão em um movimento para barrar a continuidade da comissão. As informações são da coluna de Malu Gaspar, do O Globo.
Com prazo previsto para terminar na próxima semana, o colegiado perdeu apoio político para seguir com as apurações. Diante do cenário, integrantes da CPMI recorreram ao Supremo Tribunal Federal para tentar garantir a prorrogação.
Aproximação entre governo e Centrão muda cenário
A avaliação no Congresso é que a CPMI deixou de ser um problema exclusivo do governo e passou a atingir também lideranças do centro e da direita.
A divulgação de mensagens e registros envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como figura central nas investigações, ampliou o alcance político do caso e aproximou interesses que antes estavam separados.
De um lado, o Palácio do Planalto tenta conter o desgaste com a associação do caso ao entorno do presidente. De outro, partidos do Centrão buscam evitar que novas revelações ampliem o impacto político em ano eleitoral.
Pressão para travar prorrogação
Nos últimos dias, lideranças do PT e do Centrão passaram a atuar para impedir o avanço do pedido de prorrogação da CPMI.
O requerimento reúne apoio formal de 175 deputados e 29 senadores, número suficiente para manter a comissão. Mesmo assim, o documento segue parado sob análise do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que resiste a dar andamento.
Até o momento, não houve retirada de assinaturas, mas a estratégia inclui esvaziar politicamente o tema e isolar a oposição, principal defensora da continuidade da CPMI.
CPI perde força dentro do Congresso
A leitura entre lideranças é que a comissão já produziu seus principais efeitos políticos.
Na cúpula do Legislativo, cresce o entendimento de que a extensão dos trabalhos teria pouco impacto prático e poderia prolongar o desgaste em meio ao calendário eleitoral de 2026.
O apoio à prorrogação está concentrado em partidos como PL, Novo e parte da direita. Já o PT não assinou o pedido e atua, segundo relatos, em alinhamento com Alcolumbre para manter o requerimento sem avanço.
Judicialização agrava tensão
A decisão da CPMI de recorrer ao STF aumentou o desconforto dentro do Congresso.
O presidente da comissão, Carlos Viana, acionou a Corte junto com outros parlamentares, alegando omissão da Mesa Diretora ao não pautar o pedido de prorrogação.
A iniciativa foi interpretada por lideranças como tentativa de contornar a condução interna do Legislativo, o que ampliou a resistência à continuidade da CPMI.
