O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, defendeu nesta quarta-feira (28/10) a decisão do candidato derrotado de liderar a oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva a partir dos Estados Unidos. A estratégia foi anunciada por Flávio em uma carta divulgada após deixar o Brasil. Segundo Marinho, o senador não teria condições de exercer esse papel em território brasileiro diante do risco de medidas judiciais.
“É o que ele pode fazer, porque aqui no Brasil é impossível, pelo menos pelos sinais que estavam sendo demonstrados, que ele pudesse exercer esse papel”, afirmou Marinho durante conversa com jornalistas.
O coordenador da campanha classificou a saída de Flávio como um exílio político e afirmou que a decisão foi motivada pelo receio de perder a liberdade.
“Ele hoje é um exilado político, não é por escolha”, declarou.
Marinho diz que Flávio não tinha outra opção
Na avaliação do senador, Flávio Bolsonaro precisou deixar o país para preservar a liberdade e continuar se manifestando politicamente.
“Flávio só tem esse caminho. Não restou outra opção para manter a sua integridade física, a sua liberdade e a sua capacidade de poder falar o que precisa ser falado, senão sair exilado do país”, afirmou.
Marinho também declarou que o aliado correria risco de prisão caso permanecesse no Brasil.
O parlamentar reconheceu, entretanto, que não existe mandado de prisão contra Flávio Bolsonaro.
“Não existe ordem de prisão contra Flávio. Não existe ordem de prisão contra Flávio”, ressaltou.
Segundo Marinho, as medidas judiciais relacionadas ao passaporte do senador e o momento em que foram solicitadas levantam questionamentos sobre a condução das investigações.
As afirmações sobre perseguição política e risco de prisão representam a avaliação do coordenador da campanha.
Coordenador afirma que não sabia da viagem
Marinho também revelou que integrantes próximos a Flávio não foram informados antecipadamente sobre a decisão de deixar o Brasil.
“Eu acho que o Flávio quis nos proteger a todos. Então, nenhum de nós que estava no seu entorno teve conhecimento de que ele estaria saindo do Brasil”, afirmou.
Segundo o parlamentar, as primeiras informações sobre a viagem chegaram por meio da imprensa.
O último encontro entre os dois ocorreu na tarde de segunda-feira (26/10), quando Flávio gravou um vídeo acompanhado de aliados.
Marinho contou que tentou falar com o senador na manhã seguinte, mas recebeu apenas uma breve mensagem de texto, por volta das 8h20.
Primeiro contato ocorreu por intermédio de advogado
O coordenador da campanha afirmou que conseguiu conversar com Flávio nesta quarta-feira, pouco antes de atender os jornalistas.
“Eu tive um contato com o Flávio há meia hora. Conversei rapidamente com ele através de um advogado, não tenho ainda o telefone dele”, relatou.
Segundo Marinho, a conversa foi direcionada à situação pessoal do aliado e de seus familiares após a chegada aos Estados Unidos.
“A minha pergunta basicamente foi como ele chegou, como está a sua família, como ele está se sentindo, quais são suas impressões iniciais, minha solidariedade a ele, às filhas dele”, contou.
O senador afirmou que pretende retomar o contato com Flávio a partir de quinta-feira (29/10).
PL ainda não definiu como será a liderança à distância
Apesar de defender a estratégia anunciada na carta, Marinho reconheceu que ainda não discutiu com Flávio Bolsonaro como será organizada a atuação política a partir do exterior.
“Acredito que ele vai se posicionar sobre assuntos relacionados ao Brasil, mas nós não conversamos de que forma isso se dará”, explicou.
Questionado se a distância poderia abrir espaço para outras lideranças da direita, como Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, Marinho descartou o risco.
“Não, não existe risco”, afirmou.
O parlamentar disse que a direita possui diferentes nomes com capacidade de exercer liderança política, mas destacou o desempenho eleitoral de Flávio como fundamento para sua posição na oposição.
Marinho também afirmou que não discutiu com o aliado possíveis condições para seu retorno ao Brasil. Segundo ele, esses assuntos deverão ser tratados nas próximas conversas.