O vice-governador eleito de Minas Gerais, Luís Eduardo Falcão, afirmou nesta sexta-feira (23/10) que a situação fiscal do estado preocupa a futura administração de Cleitinho Azevedo (Republicanos). Após a primeira reunião temática da transição de governo, Falcão comparou a previsão de déficit de R$ 10,5 bilhões para 2027 ao cenário herdado do ex-governador Fernando Pimentel (PT) e afirmou que a dívida estadual com a União mais que dobrou nos últimos anos.
“Nós não estamos tranquilos em relação ao caixa do governo, ao cenário fiscal. Seria uma irresponsabilidade. Uma dívida com a União que mais do que dobrou e um déficit para o ano que vem de R$ 10,5 bilhões, que, aliás, é parecido com o déficit herdado do ex-governador Pimentel. Nós não estamos numa situação tranquila”, declarou.
A comparação foi feita durante entrevista coletiva após o encontro com representantes da gestão de Mateus Simões (PSD), dedicado à situação da saúde pública estadual.
Reforma administrativa e diálogo com Brasília
Falcão afirmou que o próximo governo pretende enfrentar o desequilíbrio fiscal com medidas para aumentar a arrecadação, atrair investimentos e reduzir despesas administrativas, sem comprometer os serviços públicos.
“Uma das respostas é uma reforma administrativa. Nós precisamos aumentar a receita do estado. Como é que se faz isso? Atraindo mais investimento, enxugando a máquina, não necessariamente sufocando, sacrificando serviços”, explicou.
O vice-governador eleito também defendeu o diálogo com o governo federal, independentemente de quem vencer o segundo turno das eleições presidenciais.
“Não tem como resolver o problema de Minas Gerais, melhorar a situação de Minas Gerais sem dialogar com o governo federal”, afirmou.
Segundo Falcão, ele e Cleitinho pretendem procurar o presidente eleito já na segunda-feira (26/10), um dia após a votação.
Propostas de Simões podem ser revistas
O coordenador da transição também comentou os projetos encaminhados por Mateus Simões à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), incluindo propostas relacionadas à redução do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e à recomposição salarial dos servidores da segurança pública.
Falcão afirmou que a futura gestão respeita as iniciativas, mas pretende avaliar o impacto financeiro antes de definir como cumprir os compromissos assumidos durante a campanha.
“Agradecemos pela iniciativa do atual governador e respeitamos, mas não necessariamente vai ser feito da forma que ele está propondo”, declarou.
O vice-governador eleito ressaltou que as medidas deverão ser implementadas conforme as condições do orçamento estadual.
“O compromisso foi feito com a população e ele será cumprido assim que possível”, disse.
Transição na saúde
A primeira reunião temática entre as equipes de Simões e Cleitinho abordou programas de saúde, hospitais regionais e projetos em andamento.
Falcão afirmou que as políticas públicas com resultados positivos serão mantidas, mesmo com a mudança de governo.
“O que está dando certo será mantido, gente. Não tem por que, porque é partido diferente, um governo diferente, a gente descontinuar políticas públicas que estão funcionando”, afirmou.
Ele também informou que Cleitinho não participou do encontro porque cumpria outras agendas, incluindo conversas com possíveis integrantes do futuro governo e investidores interessados em Minas Gerais.
A transição seguirá com reuniões sobre diferentes áreas da administração estadual até a posse da nova gestão, em janeiro de 2027.