Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro mostram uma relação de proximidade entre o ex-controlador do Banco Master e o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas conversas, Rodrigo chama Vorcaro de “irmão”, oferece “tapete vermelho” para recebê-lo no escritório e trata de encontros e de um possível caso jurídico.
Os diálogos também mostram Rodrigo articulando o envio de informações sobre um evento em Londres para a secretária de Luiz Fux no Supremo. O Fux Advogados afirma que nunca prestou serviços, advogou ou recebeu valores de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas e fundos ligados ao grupo.
As mensagens fazem parte do conteúdo extraído do celular do ex-banqueiro. A Polícia Federal (PF) entregou nesta segunda-feira (14/9) a íntegra dos dados aos gabinetes dos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, que haviam solicitado acesso ao material antes da sessão do STF desta terça-feira (15/9).
‘Tapete vermelho irmão’
As conversas registram contatos entre Rodrigo e Vorcaro ao longo de 2024 e 2025. Em diferentes ocasiões, o advogado se refere ao ex-banqueiro como “irmão”.
Em maio de 2024, Rodrigo iniciou uma conversa dizendo: “Fala irmão. Tudo bem?”. Meses depois, em novembro, escreveu ao combinar uma chamada: “Vamos irmão? Liberei”.
Em 4 de dezembro daquele ano, os dois tentavam marcar um encontro no escritório de Rodrigo, no Rio de Janeiro. Vorcaro informou que só conseguiria chegar às 14h, e o advogado disse que alteraria outro compromisso para recebê-lo.
“Tapete vermelho irmão”, escreveu Rodrigo após confirmar o horário. “Valeu irmão!”, respondeu Vorcaro.
Um mês antes, Vorcaro havia procurado o filho de Fux para tratar de uma questão jurídica.
“Quero te chamar pra me ajudar num caso”, escreveu o ex-banqueiro.
Rodrigo respondeu que seria um prazer ajudar. Os dois realizaram uma videoconferência e, posteriormente, Vorcaro enviou um documento, que o advogado disse que analisaria.
Apesar das conversas, o Fux Advogados afirma que a aproximação profissional não avançou e que o escritório não foi contratado.
Encontros em Brasília
As mensagens também registram um encontro entre Rodrigo e Vorcaro em Brasília, em fevereiro de 2025. O advogado estava no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, ao sair, perguntou onde encontraria o ex-banqueiro. Vorcaro enviou o endereço de uma casa no Lago Sul.
Em outra conversa, no dia 25 daquele mês, Rodrigo perguntou: “Já está a par do encontro de hoje né?”.
“Sim! Vc é fera”, respondeu Vorcaro.
“Será um grande dia”, escreveu o advogado.
O conteúdo disponível não identifica quem participaria desse encontro e não permite concluir que Luiz Fux estaria presente.
Secretária de Fux e evento em Londres
Uma referência direta ao ministro Luiz Fux aparece em conversas de março de 2025.
No dia 11, Rodrigo procurou Vorcaro para marcar uma reunião em Brasília e disse que precisava “alinhar algumas questões”. O encontro acabou marcado para a manhã seguinte.
Horas depois da reunião, Rodrigo perguntou ao ex-banqueiro: “Qual a data de Londres mesmo?”.
Na sequência, pediu que as informações fossem encaminhadas para ele e para uma funcionária identificada como Patrícia.
“E para a Patrícia. Secretária do meu pai. Com cópia pra mim”, escreveu.
O endereço informado tinha domínio institucional do STF. “Vou pedir!”, respondeu Vorcaro.
As mensagens indicam uma articulação relacionada a um compromisso em Londres, mas os trechos divulgados não detalham o evento nem demonstram, por si só, eventual irregularidade na participação de Luiz Fux.
Escritório nega prestação de serviços
Em nota, o Fux Advogados afirmou que nunca advogou, prestou serviços ou recebeu valores de Daniel Vorcaro, Banco Master ou empresas e fundos relacionados ao grupo.
Sobre a linguagem informal encontrada nas mensagens, o escritório afirmou que houve uma tentativa de aproximação comercial por parte de Vorcaro e de seus sócios, mas que a relação profissional não se concretizou.
Segundo o escritório, os contatos ocorreram mais de um ano antes de se tornarem públicas as suspeitas de fraudes e possíveis crimes envolvendo o Banco Master.
Luiz Fux também foi procurado por meio da assessoria do Supremo, mas não havia se manifestado até a divulgação das informações.