O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez duras críticas nesta terça-feira (15/9) à decisão de André Mendonça que determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Durante a sessão extraordinária da Corte, Gilmar comparou a medida à retirada do comandante do Exército e afirmou que uma decisão desse tipo não deveria ter sido tomada.
“Qualquer cidadão que tenha o mínimo de noção do que significa a Polícia Federal, que é um órgão armado submetido à hierarquia, não faria afastamento de um diretor-geral da Polícia. É como afastar o presidente da Nasa ou tirar o comandante do Exército”, afirmou.
Na sequência, Gilmar elevou o tom das críticas.
“Sujeito tem que se algemar antes de fazer esse tipo de coisa. Quando ele tiver a tentação, tem que pedir que Deus interceda e não faça”, declarou.
O afastamento de Andrei foi determinado por Mendonça em 8 de setembro, no âmbito das apurações sobre a produção de um relatório da PF envolvendo Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
A decisão acabou suspensa, e Andrei permaneceu no comando da corporação. A controvérsia sobre o afastamento passou a integrar as discussões levadas ao plenário do Supremo.
‘Vexame’
Gilmar também classificou o episódio como um “vexame” e criticou os efeitos da medida sobre a Polícia Federal.
“Submeter uma instituição que já vive todos os problemas que tem a este tipo de vexame é de uma falta de noção, de uma gravidade, que eu jamais vi”, afirmou.
Durante a discussão, o presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que a presidência da Corte precisou agir diante da existência de decisões divergentes sobre a situação do diretor-geral.
Fux critica atuação da PF
Luiz Fux fez um aparte durante a manifestação de Gilmar e também criticou a atuação da Polícia Federal. Segundo ele, a Segunda Turma do Supremo identificou “uma série de desvios de finalidade” na atuação de Andrei.
“Eu sou ministro há 16 anos. Eu nunca vi a Polícia Federal peitar ministro do Supremo Tribunal Federal”, afirmou.
Fux também alegou a existência de uma estrutura dentro da corporação destinada ao monitoramento de integrantes da Corte.
“Nós temos hoje uma PF paralela com monitoramento de ministros. Não pense que você seja salvo, não, ministro, presidente”, declarou.
Em outra manifestação, Fux afirmou que teria sido criada “uma agência própria para se dedicar à arapongagem de ministros do Supremo”.
As declarações ocorreram durante a sessão extraordinária convocada para discutir a validade da investigação envolvendo Moraes e Vorcaro e a forma como as apurações foram conduzidas.